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Com rombo de R$ 1,2 bi, Cruzeiro do Sul pode ter ação suspensa por 2 meses

As ações do banco Cruzeiro do Sul, cujas negociações foram suspensas na manhã desta segunda-feira após a intervenção do Banco Central, poderão ficar até dois meses sem ser negociadas em Bolsa.

O FGC (Fundo Garantidor de Créditos), que assumiu a gestão do banco hoje, quer que as ações só voltem a ser negociadas quando houver uma definição da situação patrimonial do banco.

O Banco Central detectou um rombo de R$ 1,3 bilhão decorrente de “insubsistência de crédito”, o que significa que não há “evidências” de que operações nesse valor existam.

Como o patrimônio do banco é de cerca de R$ 1,2 bilhão, o questionamento pode levá-lo a um deficit patrimonial de R$ 100 milhões.

Folha não conseguiu falar com a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e com a Bovespa para saber se será permitida a interrupção das negociações das ações por esse período.

Na intervenção do Banco PanAmericano, que tinha o problemas semelhantes de patrimônio, os negócios com as ações chegaram a ser suspensos por algumas horas, mas retornaram logo depois.

INTERVENÇÃO

O Banco Central anunciou nesta segunda-feira a intervenção no Banco Cruzeiro do Sul por problemas na contabilidade e descumprimento a normas do sistema financeiro.

Os dirigentes e controladores foram afastados da instituição e o FGC foi nomeado como administrador temporário. Os bens dos controladores e dos ex-administradores ficarão indisponíveis.

Segundo o BC, o Raet (Regime de Administração Especial Temporária) tem a finalidade de corrigir procedimentos operacionais e eliminar deficiências que possam comprometer o funcionamento do banco. O prazo da intervenção é de 180 dias.

O Banco Cruzeiro do Sul é considerado de pequeno porte e possui autorização para operações comerciais, de investimento e cambiais.

A instituição tem 0,22% dos ativos totais do sistema financeiro e 0,35% dos depósitos, segundo dados de dezembro de 2011. A sede é em São Paulo e há agências no Rio de Janeiro, Campinas, Salvador, Recife, Belém, Macapá e Palmas, além da própria capital paulista.

A intervenção não afeta o funcionamento do banco, que pode continuar a fazer operações nas áreas em que tem autorização para atuar. O prazo para pagamento de dívidas e as datas de vencimento de compromissos de terceiros com a instituição também seguem o cronograma original.

O regime especial também vale para os outros negócios do grupo Cruzeiro do Sul, como a corretora de valores.

“O Banco Central está tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais de supervisão do sistema financeiro”, afirma a nota do BC.

Ainda de acordo com a autoridade monetária, os resultados da apuração poderão levar à aplicação de medidas punitivas de caráter administrativo e à comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.

O FGC afirmou que levantará um balanço especial para apurar as condições econômico-financeiras das instituições do Cruzeiro do Sul e disponibilizou o telefone (0/xx/11) 3848-2865 para esclarecer dúvidas dos clientes do banco.

BALANÇO

O Cruzeiro do Sul teve prejuízo de R$ 57 milhões no primeiro trimestre, ante lucros de R$ 32 milhões no quarto trimestre de 2011 e de R$ 41 milhões um ano antes.

O banco vendeu mais de US$ 300 milhões em títulos nos mercados internacionais no ano passado, mas essa fonte secou em decorrência da crise de dívida que atingiu países da Europa.

O Cruzeiro do Sul foi comprado em 1993 pela família Indio da Costa e no mesmo ano ingressou no mercado de crédito consignado. Segundo o site da instituição, atualmente, o banco é parte de 337 convênios de crédito consignado a funcionários públicos, aposentados e pensionistas no país.

Na semana passada, a instituição confirmou que estava em negociação para uma possível venda de suas operações. Segundo reportagem do jornal “Valor Econômico”, o BTG Pactual seria um dos interessados no negócio. O banco de André Esteves afirmou, na época, que analisava constantemente oportunidades de mercado.

OUTROS BANCOS

Em outubro do ano passado, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Morada, com base em relatório de interventor que apontou situação de insolvência do banco e violação de regras legais.

A liquidação extrajudicial do Morada foi a primeira feita pelo BC desde o Banco Santos, em maio de 2005, e ocorreu depois que a autoridade monetária detectou em 2010 fraude bilionária em vendas de carteiras do Banco Panamericano, que acabou vendido ao BTG Pactual.

Fonte: Da Folha.com

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