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CPI suspende sessão sem votar convocação de governadores

A maioria dos integrantes da Comissão Parlamentar de Mista de Inquérito criada para apurar o elo do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos e empresários decidiu suspender a sessão desta quinta-feira (17) e ignorar sugestão para votar requerimentos já protocolados para convocar os governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), do Distrito Federal, AgneloQueiroz (PT), e do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), para depor.

A sugestão de colocar em pauta os pedidos foi feita pelo senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), mas, em votação, a maior parte dos membros, entre eles parlamentares da base governista e da oposição, decidiu suspender a reunião.

Integrantes da CPI do Cachoeira nesta quinta (17), durante reunião que votou apenas convocações de auxiliares do bicheiro e servidores (Foto: José Cruz/Agência Senado)Integrantes da CPI do Cachoeira nesta quinta (17), durante reunião que votou apenas convocações de auxiliares do bicheiro e servidores (Foto: José Cruz/Agência Senado)

Antes, foram aprovadas apenas a quebra de sigilo da regional Centro-Oeste da construtura Delta e a convocação de 51 pessoas, apontadas pela Polícia Federal como auxiliares de Cachoeira ou funcionários públicos.

Questionado sobre a suspensão, o deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI, disse que não vê “indícios suficientes” para convocar os governadores e também não precisou uma data para votar os requerimentos. A próxima reunião da CPI será no dia 5 de junho.

O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG) (Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara)
O relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG)
(Foto: Leonardo Prado/Agência Câmara)

“Não há indícios suficientes para convocar ou quebrar o sigilo dessas pessoas. Vamos quebrar os sigilos, analisar os documentos, vamos identificar mais indícios de envolvimento dos governadores. Em havendo indícios nós vamos convocá-los, na proporção da responsabilidade de cada um”, afirmou Odair Cunha. Segundo o presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), não há certeza de que a convocação dos governadores será votada no dia 5 de junho. “Pode ser também, ninguém sabe”, disse.

Nas investigações da Operação Monte Carlo, que prendeu Cachoeira em fevereiro, auxiliares dos governadores de Perillo e Agnelo são citados em conversas telefônicas com integrantes da quadrilha do contraventor.

Já o governador do Rio, Sérgio Cabral, aparece em fotos ao lado do ex-presidente da Delta, Fernando Cavendish, durante uma viagem a Paris. Segundo investigações da Polícia Federal, a Delta, uma das empresas com mais contratos com o governo federal, repassou dinheiro para empresas fantasmas que abasteciam o grupo de Cachoeira.

Randolfe criticou a posição do relator. “Existem mais do que indícios do envolvimento do governador de Goiás com o grupo de Cachoeira. Não convocar os três governadores é uma grave omissão. Senti que havia quase um consenso para não chamar os governadores”, disse.

Parlamentares defenderam investigação
Na semana passada parlamentares defenderam “aprofundar” as investigações do elo de Cachoeira com governadores. O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), membro da CPI, afirmou que um assessor especial do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), recebeu R$ 500 mil da organização chefiada por Cachoeira, preso em fevereiro pela Polícia Federal.

De acordo com Teixeira, a informação foi dada pelo delegado da PF Matheus Mela Rodrigues, responsável pela Operação Monte Carlo, em depoimento secreto à CPI na semana passada. Nesta quinta (17), o petista defendeu a suspensão da reunião da CPI sem análise dos pedidos de convocação.

O deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), que também votou nesta quinta  pelo encerramento da reunião, havia defendido na semana passada que Perillo e Agnelo prestassem esclarecimentos à comissão.

“Eu não tenho a mínima dúvida que os governadores têm de vir. Inclusive apresentamos um requerimento de convocação dos governadores, inclusive do governador do meu partido. Acho que os dois [Perillo e Agnelo] têm de prestar explicações para que a opinião pública saiba o que aconteceu”, afirmou na ocasião.

Fonte: Do G1, em Brasília

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