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Depois de polêmica com Mantega, aliado de líder do PTB perde cargo

O presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Evangevaldo Santos, anunciou nesta sexta-feira que pediu demissão do cargo à presidente Dilma Rousseff.

Ele deixa a companhia após seu padrinho político, o líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), envolver-se numa polêmica com o ministro Guido Mantega (Fazenda) sobre a indicação do ex-presidente da Casa da Moeda, demitido há duas semanas por suspeita de envolvimento em esquema de corurpção.

Jovair sustenta que a indicação foi do ministro, enquanto Mantega diz que foi do deputado, o que levou a oposição a pedir a convocação do ministro para se explicar.

Em nota, Santos afirma que “pretende colaborar” com a campanha de Jovair à Prefeitura de Goiânia, mas não justifica a razão da sua saída da empresa. A Folha apurou que um relatório da CGU (Controladoria Geral da União) apontou problemas na Conab, mas não o responsabiliza. Ele assumiu a pasta em março do ano passado.

O líder do PTB afirmou que não se trata de retaliação e que já indicou ao governo nomes para substituir o presidente da Conab. “Garantia de que o governo vai escolher a minha indicação não tem, mas existe um compromisso. Tenho feito minha parte, mais ajudado o governo do que o governo tem me dado atenção.”

Ele afirmou que a saída de Santos é porque “ficou chato” todo dia o ministro Mendes Ribeiro (Agricultura) dizer que vai substituí-lo. “É uma situação complicada.”

A Conab, vinculada ao ministério, teve o nome envolvido em escândalo que ajudou a tirar do ministério Wagner Rossi.

Na época das denúncias, reportagem da Folha revelou que a estatal se tornou um cabide de empregos para acomodar parentes de líderes políticos do partido do ex-ministro, o PMDB.

Uma auditoria da CGU também apontou irregularidades na administração da companhia.

Após assumir a pasta, o ministro Mendes Ribeiro anunciou que faria mudanças no órgão.

OAB

Recentemente, Santos também foi acusado pelo Ministério Público Federal em Goiás de envolvimento num suposto esquema que fraudava o exame da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A Procuradoria afirma que ele atuou, em 2006, como “ponte” no esquema e também pagou para que um subordinado seu fosse aprovado na prova.

Na época, o presidente da Conab comandava a Agência Ambiental do Estado de Goiás.

O Ministério Público alega que Santos era “amigo íntimo de um dos membros da quadrilha que fraudava a prova”.

Conversas telefônicas interceptadas pela Polícia Federal mostram que ele sabia como a quadrilha trabalhava e o flagraram articulando a aprovação ilegal de seu funcionário, diz a Procuradoria.

A denúncia entregue à Justiça diz que a quadrilha cobrava até R$ 15 mil para aprovar um candidato de forma fraudulenta.

Santos contesta as acusações e disse, por meio de nota à imprensa divulgada à época das acusações, que é apenas citado num inquérito da Procuradoria em Goiás, mas que não está entre as pessoas denunciadas.

Ele também afirmou que o procurador da República responsável pela investigação, Hélio Telho, já o havia isentado de culpa em 2006, e que “estranhamente, em novos cenários políticos”, passou a levantar novas suspeitas.

Com a Folha.com

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