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Dilma diz que nova ministra atuará ‘segundo diretrizes do governo’

Na posse da ministra Eleonora Menicucci (Secretaria de Políticas para as Mulheres), a presidente Dilma Rousseff afirmou que a indicada, favorável à descriminalização do aborto, atuará seguindo a linha do governo.

Eleonora é, disse Dilma, “uma feminsita que respeitará seus ideiais, mas que vai atuar segundo as diretrizes do governo em todos os temas sobre os quais terá atribuições”.

A fala foi seguida de silêncio da plateia, que se manifestou diversas vezes efusivamente na cerimônia realizada no Palácio do Planalto.

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Desde que foi pressionada por evangélicos durante a campanha eleitoral, Dilma Rousseff mantém o compromisso de não capitanear mudanças na legislação atual de maneira pró-aborto. Posição essa que vem sendo criticada pelo movimento feminista.

Menicucci assumiu já provocando polêmica. Defensora da mudança na legislação relativa ao aborto, e ela própria já tendo passado por dois, a ministra virou alvo de críticas do segmento evangélico.

Nesta quinta-feira (9), três dias após a oficialização do nome de Menicucci, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disparou críticas contra ela no microblog Twitter. Disse que a bancada evangélica se unirá “para combater a abortista”.

Roberto Stuckert Filho/Divulgação PR
Eleonora Menicucci toma posse como ministra da secretaria das mulheres
Eleonora Menicucci toma posse como ministra da secretaria das mulheres

Dilma citou ter visto, nesta semana, questionamentos sobre a escolha de Menicucci. Afirmou que a escolheu “sobretudo pelo conjunto da obra”, mas passou um recado para os evangélicos.

“Quando assumimos o governo, nós governamos para todos os brasileiros e brasileiras, sem distinções políticas, religiosas ou de qualquer outra ordem”, declarou a presidente.

Menicucci não deixou de citar o tema dos direitos reprodutivos em seu discurso. Não se pode aceitar, disse ela, “que os serviços de atendimento a vítimas de violência seuxal continuem sem manutenção, sem ampliação, que [as mulheres] continuem sendo mal atendidas em repartições públicas e privadas e que tenham seus direitos reprodutivos e sexuais desrespeitados”.

A nova ministra e Dilma citaram os temos da ditadura militar, quando dividiram cela na prisão. Menicucci chegou a se emocionar quando citou amigos que foram assassinados na ditadura.

“Com muita tristeza, quero render minhas homenagens às mulheres, aos homens, jovens, que tomabaram na luta contra a ditadura.”

Menicucci relembrou o encontro com Dilma na prisão. “Quando, na tua campanha, presidenta Dilma, eu recebi telefonema para participar do primeiro programa de TV, eu pensei ‘eu?’. Eu disse ‘eu, sim’ e dei o depoimento de quando cheguei no presídio Tiradentes, a senhora estava lá e me abraçou com afeto, que durante a minha vida inteira esse afeto ficou marcado.”

CONFUSÃO NA POSSE

Com mais convidados que cadeiras na plateia, o Planalto teve que lidar com dezenas de mulheres brigando para poder entrar no espaço restrito onde seria a posse de Menicucci.

“Somos amigas da Leo de colégio e prisão e não vamos poder entrar?”, perguntou Guiomar Silva Lopes, que saiu de São Paulo especialmente para a posse.

Uma das presentes gritou com o segurança que insistia em impedir sua entrada. “Chega de barreiras na vida da gente!”, disse.

Depois de um coro pedir a entrada, os seguranças tiveram que liberar.

Com a Folha.com

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