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Em meio a cúpula, Merkel minimiza proposta de comissário para Grécia

Jesco Denzel/Reuters

A chanceler alemã, Angela Merkel, minimizou nesta segunda-feira a proposta de criar um “comissário de orçamento” para a Grécia com poder de veto sobre as decisões governamentais, ao afirmar que não quer gerar uma controvérsia. A posição chega em meio à reunião de cúpula cujo resultado esperado é um acordo sobre a dívida grega.

“Acho que estamos debatendo algo que deveríamos debater”, disse Merkel ao chegar na cúpula informal de líderes da UE (União Europeia), onde afirmou que a ideia é questionar o que a Europa pode fazer para que a Grécia cumpra com as medidas estipuladas.

“Isso só é possível se a Grécia e os demais Estados conversarem sobre o assunto”, defendeu. A chanceler alemã ressaltou que não quer uma controvérsia, apenas um debate que gere resultados positivos para os gregos.

Merkel disse não esperar um debate sobre a Grécia na cúpula desta segunda-feira, porque ainda não foi fechado um acordo entre as autoridades gregas e os credores privados e não está pronto o relatório da missão internacional de análise. Fontes diplomáticas informaram que os 27 discutirão de forma “limitada” a situação.

O que não está previsto é abordar a possibilidade de dotar de mais fundos públicos o segundo programa de resgate grego nem a possibilidade de que Atenas ceda parte de sua soberania orçamentária a Bruxelas.

Segundo informou no fim de semana a revista alemã “Der Spiegel”, a missão internacional –formada por Comissão Europeia, BCE (Banco Central Europeu) e FMI (Fundo Monetário Internacional)– calcula que o montante final do segundo resgate deveria alcançar os 145 bilhões de euros, cerca de 15 bilhões a mais que o estipulado em outubro.

EUROGRUPO

A proposta alemã já conta com a rejeição do presidente do Eurogrupo e primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, assim como do chanceler federal austríaco, o social-democrata Werner Faymann.

“Faço forte oposição à ideia de impor um comissário” nomeado pelo Eurogrupo, como propôs a Alemanha em um documento distribuído na semana passada aos governos da zona do euro, disse o primeiro-ministro luxemburguês ao chegar à cúpula informal dos chefes de Estado e governo da UE.

Faymann também rejeitou a proposta alemã e afirmou que criar um “comissário especialmente para um país não parece uma boa ideia”, mas é melhor que a Comissão Europeia atue como costuma fazer em todos os países, com uma supervisão reforçada.

O Executivo da UE lembrou neste fim de semana que reforçará sua capacidade de supervisão do cumprimento das medidas de ajuste, mas afirmou que corresponde ao país a “responsabilidade” de executá-las, incluindo o orçamento nacional.

CÚPULA E GREVE

Em meio a uma greve geral do setor público na Bélgica, começou nesta segunda-feira a reunião de líderes da União Europeia em Bruxelas. Como os voos também foram afetados, quase foi necessário transferir a reunião para Luxemburgo. O problema foi resolvido quando o governo belga pôs à disposição das delegações europeias um pequeno aeroporto militar, a 30 km da capital do país.

O primeiro-ministro britânico David Cameron afirmou em sua chegada à reunião que o Conselho Europeu precisa enfrentar com seriedade a questão do crescimento na Europa. Ele sugere menos regulação na economia, especialmente para pequenas empresas, para que haja maior criação de empregos e crescimento.

Na última reunião, Cameron vetou o tratado que implementaria maior disciplina fiscal e orçamentária aos membros da União Europeia. A bandeira da austeridade fiscal é uma iniciativa da Alemanha, com amplo apoio da França.

Durante o encontro de hoje, que deve durar menos que as dez horas da reunião de dezembro, o Conselho Europeu espera assinar o tratado de criação do Mecanismo Europeu de Estabilidade, um fundo permanente de resgate no valor de € 500 bilhões, e o tratado de disciplina fiscal na zona do euro.

No convite do presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, aos líderes dos países do bloco, foi destacado que a questão do desemprego entre os jovens, o mercado único e o Mecanismo Europeu de Estabilidade seriam assuntos prioritários.

A delicada questão da dívida da Grécia será objeto de um encontro dos líderes após o encerramento do Conselho Europeu.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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