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Em meio a rumores, primeira-ministra da Austrália nega renúncia

A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, prometeu nesta sexta-feira lutar para continuar como líder do seu impopular governo, rejeitando especulações da imprensa de que alguns parlamentares aliados teriam rompido com ela após uma nova derrota política nesta semana.

Gillard, com o aspecto abatido após uma das piores semanas da sua carreira política, concedeu uma entrevista para afastar os rumores que surgiram depois que, na quarta-feira, a Justiça rejeitou seu plano de enviar imigrantes ilegais para a Malásia.

Daniel Munoz-11.jul.2011/Reuters
Primeira-ministra, Julia Gillard, conversa com funcionário do setor financeiro
Primeira-ministra, Julia Gillard, conversa com funcionário do setor financeiro

“Não vou a lugar algum. Tenho muito o que fazer”, disse Gillard à TV Sky, pouco mais de um ano depois de o Partido Trabalhista derrubar o antecessor dela, Kevin Rudd, num golpe interno na calada da noite.

Questionada sobre se teria sido pressionada a renunciar, ela respondeu que não. Além disso, alguns parlamentares saíram em seu apoio na sexta-feira.

Mas, nos mercados financeiros, os investidores já voltam seus olhos para a eventual mudança de governo.

“O governo claramente adotou algumas políticas impopulares, e há uma opinião geral de que talvez uma mudança do primeiro-ministro ou do governo seja vista como algo positivo”, disse Su-Lin Ong, economista-sênior do RBC Capital Markets.

Os jornais dizem que membros de alto escalão do governo sentem que Gillard perdeu sua autoridade depois de a Alta Corte invalidar a tentativa de Gillard de neutralizar o ônus político da questão dos imigrantes ilegais, enviando-os para a Malásia.

As pesquisas mostram que Gillard e o Partido Trabalhista, que dependem de parlamentares independentes e do Partido Verde para se manterem no poder, levariam uma surra nas urnas se a eleição fosse hoje.

O mandato de Gillard, no entanto, dura mais dois anos, e nem os deputados independentes nem o PV dão sinais de abandoná-la –o que não seria tão certo caso a primeira-ministra seja substituída pelos trabalhistas.

PLANO

O Superior Tribunal da Austrália declarou na última quarta-feira (31) ilegal o acordo assinado por este país com a Malásia para a troca de cerca de 800 imigrantes ilegais por quarto mil refugiados da ONU, informou a imprensa local.

O presidente deste Tribunal, Robert French, disse que foi ordenado ao ministro de Imigração, Chris Bowen, e a seu gabinete que paralisem o envio de solicitantes de asilo à Malásia.

Segundo a decisão, adotada por cinco votos a favor e dois contra, o acordo “não tem poder e é inválido”, informou a emissora australiana ABC.

Este processo obrigou há várias semanas a suspensão das tarefas para a deportação ao país asiático do primeiro grupo, formado por 16 imigrantes ilegais detidos recentemente ao tentar chegar à costa australiana com a finalidade de solicitar asilo.

Os advogados do Centro para os Refugiados e a Imigração Legal argumentaram que, ao contrário da Austrália, a Malásia não assinou a convenção sobre o estatuto dos refugiados das Nações Unidas, enquanto o governo de Canberra assegurava que os direitos dos imigrantes seriam protegidos.

Austrália e Malásia assinaram este acordo em 25 de julho, após vários meses de negociações.

Além disso, Canberra selou outro pacto com Papua-Nova Guiné para reabrir um centro de detenção de imigrantes ilegais na ilha Manus.

Desde que o acordo entrou em vigor, chegaram à Ilha Christmas, no oeste da Austrália, 335 imigrantes ilegais, segundo dados oficiais.

Os imigrantes ilegais que são detidos na Austrália ingressam em algum dos sete centros de detenção ou em outro tipo de instalações localizadas em áreas isoladas, enquanto tramitam suas solicitações.

No início deste século, as autoridades australianas endureceram a política imigratória para frear o crescente fluxo de imigrantes ilegais, majoritariamente asiáticos, que viajavam à Austrália em busca de uma nova vida pela deterioração da situação em seu país, como é o caso de Iraque, Afeganistão e Irã.

DA REUTERS

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