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Em MS, soldado pego usando crack em quartel é expulso dos bombeiros

Segundo os bombeiros, o militar não aceitava os tratamentos.
O soldado foi flagrado usando crack no banheiro no quartel em Paranaíba.

Um soldado do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul foi exonerado da corporação após ser flagrado usando crack dentro de um quartel e recusar, por várias vezes, segundo a corporação, a se submeter a tratamentos contra a dependência química. A exoneração do militar, de 30 anos de idade, foi publicada na quarta-feira passada (25), no Diário Oficial do estado.

Segundo o tenente capelão Edilson dos Reis, que é responsável pelo Centro de Apoio Biopsicosocial do Corpo de Bombeiros, o soldado foi flagrado usando crack em 2009 no banheiro do quartel em Paranaíba, a 413 quilômetros de Campo Grande. Ele diz que, desde então, o militar recebeu apoio da corporação para abandonar o vício, sendo, inclusive, internado várias vezes, mas o paciente não respondia ao tratamento.

“Nós esgotamos todas as possibilidade para tentar recuperá-lo. Acompanho o caso e já oferecemos todo tipo de tratamento, tudo custeado pelo Corpo de Bombeiros. Ele chegava a começar a terapia, mas depois abandonava. Por três vezes tivemos que interná-lo à força, já que ele não aceitava ajuda e gerava problemas para a corporação e para sua família. Desde que foi descoberto o problema, ele foi afastado do serviço. Chegou a voltar algumas vezes, quando houve lapsos de recuperação, mas logo foi afastado novamente”, explica o tenente.

Reis disse que a família do soldado também recebeu apoio da assistência social, e que há cerca de um ano todos estavam avisados da iminência da exoneração. “Quando a corporação detecta algum problema do gênero nós fazemos o possível para recuperar o militar, para que ele volte a trabalhar normalmente. Tanto que essa é a primeira exoneração em dez anos. A última foi por alcoolismo”, complementa.

O tenente fala ainda que o caso do militar era grave, pois para conseguir droga ele já havia vendido a motocicleta da esposa por R$ 300 e chegou deixar a farda empenhada como garantia de pagamento em uma boca de fumo. “Na última vez que internamos ele, tive que tirar a segunda via de todos os documentos do soldado, inclusive o cartão do convênio médico, pois ele havia empenhado tudo em uma boca de fumo. Ele fazia isso quando não tinha dinheiro para comprar a droga. Em outras ocasiões, quando faltava ao serviço, o encontramos usando droga em uma boca, uma vez inclusive, estava armado”, recorda.

O advogado do militar, Odivan César Arossi, disse que o soldado chegou a alegar em sua defesa que não era usuário de crack e que outro militar seria o verdadeiro viciado e estava tentando incriminá-lo. Porém, segundo ele, no decorrer do processo exames toxicológicos e psicológicos provaram a dependência química do militar.

Arossi disse também que no exame psicológico, acatado pela Justiça, o militar foi considerado relativamente incapaz e inimputável, ou seja, não poderia ser preso pelo delitos que cometeu, no máximo internado para tratamento. O advogado reclamou apenas pelo fato da decisão administrativa ter se antecipado à decisão judicial, já que o processo ainda não terminou.

Rigor na seleção
O tenente Reis acredita que um rigor ainda maior no processo seletivo dos candidatos interessados em ingressar na corporação poderia evitar situações como a do militar exonerado.

“Uma pessoa que vai lidar com vidas, precisa ser uma pessoa ética e idônea. Mas como não temos como descobrir isso antes do ingresso na corporação, a sociedade, o contribuinte é quem paga por isso. Esse militar ingressou no Corpo de Bombeiros em 2004, possivelmente já com problemas com as drogas. Agora ele perdeu todo o auxilio que recebia, inclusive o salário, infelizmente as coisas ficarão ainda mais difíceis. Eu só posso lamentar, pois fizemos tudo e até mais do que estava ao nosso alcance”, conclui.

Com Do G1 MS

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