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Em Paris, países defendem desbloqueio de US$ 15 bilhões da Líbia

Falando ao lado de outros líderes mundiais ao fim da conferência internacional sobre a Líbia em Paris nesta quinta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou um “pedido unânime para desbloquear os bens líbios” de US$ 15 bilhões e disse que as operações da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) “continuarão enquanto [o ditador Muammar] Gadafi representar uma ameaça”.

“Decidimos entrar com pedido unânime para desbloquear os bens líbios, os fundos de [Muammar] Gadafi e seus aliados devem retornar aos líbios”, disse Sarkozy durante coletiva.

  Philippe Wojazer/Reuters  
Delegação posa durante conferência em Paris; países defendem desbloqueio de US$ 15 bilhões da Líbia
Delegação posa durante conferência em Paris; países defendem desbloqueio de US$ 15 bilhões da Líbia

Ele afirmou ainda que a intervenção da Otan e seus aliados “salvou milhares de vidas” e que todos os países europeus presentes estão dispostos a reabrir suas embaixadas em Trípoli após a transição de poder no país. O líder francês disse também que o Conselho Nacional de Transição (CNT) deve iniciar um processo de “reconciliação e perdão” na Líbia.

Além dos membros da Otan e seus aliados, a reunião em Paris contou com a participação de 63 países, entre eles o Brasil.

Ele é tido como um dos principais articuladores da coalizão que implementou as resoluções 1970 e 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que visavam a criação de uma zona de exclusão aérea em defesa dos civis. Tais ataques aéreos continuarão enquanto forem necessários para proteger o povo líbio, acrescentou.

Sarkozy agradeceu especialmente aos três países árabes que ajudaram na operação: Qatar, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.

  Ian Langsdon/Efe  
Sarkozy ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton
Sarkozy ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton

“Desde o primeiro dia eles estiveram do nosso lado. Não teríamos entrado na Líbia sem as resoluções da ONU, e sem a presença dos países árabes”, afirmou.

O primeiro-ministro britânico disse ainda que Sarkozy foi estratégico em reunir nações de “leste, oeste, norte e sul, muçulmanas e cristãs”, com o mesmo objetivo, de libertar a Líbia dos horrores de Gaddafi.

O francês disse que a União Europeia tem em mente que o Mediterrâneo é parte de suas fronteiras e que cabe aos europeus protegê-lo. “A Otan deu um passo adiante nessa operação, em comparação com a Bósnia, por exemplo [quando a aliança foi criticada por demorar para intervir na guerra civil, nos anos 90]”.

Mahmoud Jibril, líder do CNT, disse que o “povo líbio mostrou que conseguiu atingir sua luta pela liberdade” e que seu compromisso com a população agora é de criar um novo país, guiado pelos valores da tolerância, do perdão e da lei.

Também nesta quinta-feira, o CNT estendeu em uma semana o prazo de rendição da cidade de Sirte, o último bastião de apoio ao ditador Muammar Gaddafi. O prazo anterior era sábado, dia 3 de setembro. Os rebeldes afirmam que irão atacar a cidade se os gaddafistas não se renderem.

TRÊS DECISÕES

O premiê do Reino Unido, David Cameron, listou as três principais decisões da reunião. A primeira: a Otan e seus aliados continuarão implementando as resoluções 1970 e 1973 enquanto sua presença for necessária para proteger os civis líbios.

A segunda: os países que integram a coalizão manterão seu compromisso com o direito internacional e auxiliarão os líbios na investigação dos crimes perpetrados pelo regime do ditador Muammar Gaddafi.

E finalmente, os membros da aliança apoiarão o líder do CNT, Mahmnoud Jibril no processo de transição de poder na Líbia.

POSIÇÃO DA ONU

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que o “tempo é crucial” nesse momento, e que a organização deve liderar o processo e auxiliar os rebeldes.

Entre as principais necessidades estão a organização política do país, com a preparação para que os líbios possam eleger um novo governo nos próximos meses, acrescentou.

Ban afirmou ainda que vai despachar um enviado especial das Nações Unidas a Trípoli imediatamente, para que o processo de reconstrução política do país seja acelerado.

PREMIÊ

O último primeiro-ministro do regime de Gaddafi, Mahmoud Baghdadi, anunciou nesta quinta-feira seu apoio à “revolução líbia” e pediu que cesse o derramamento de sangue, em declarações ao canal de televisão “Al Arabiya”.

“Anuncio meu respaldo à revolução líbia. Cumprirei com os direitos do povo líbio pelo bem-estar da Líbia. Desejo o fim do derramamento de sangue e uma reconciliação imediata”, disse Baghdadi, que no dia 22 de agosto fugiu à ilha tunisiana de Jerba.

Nesta quinta-feira, o ditador líbio divulgou uma mensagem de áudio e voltou a pedir a seus partidários que continuem resistindo ao avanço dos rebeldes oposicionistas, que já controlam a maior parte da Líbia.

“Existem divergências entre a Aliança da Agressão [Otan] e seus agentes [os rebeldes]”, disse. “Vamos lutar em todas as ruas, em todas as vilas, em todas as cidades. Isso vai acabar um dia e vamos sair vitoriosos. Eles não têm força para continuar lutando”.

MENSAGEM

Também hoje, Gaddafi, divulgou uma nova mensagem de áudio e voltou a pedir a seus partidários que continuem resistindo ao avanço dos rebeldes oposicionistas, que já controlam a maior parte da Líbia.

Gaddafi, que está foragido, disse que existem divergências entre os rebeldes e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), em áudio transmitido na televisão por satélite Arrai, com sede na Síria.

  Ahmed Jadallah-8.mar.2011/Reuters  
O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, chega a hotel em Trípoli onde jornalistas estão hospedados
O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, chega a hotel em Trípoli onde jornalistas estão hospedados

“Mesmo que não ouçam minha voz, continuem com a resistência”, declarou Gaddafi. “Existem divergências entre a Aliança da Agressão [Otan] e seus agentes [os rebeldes]”, enfatizou.

“Vamos lutar em todas as ruas, em todas as vilas, em todas as cidades”, disse. “Isso vai acabar um dia. E vamos sair vitoriosos. Eles não têm força para continuar lutando”.

Gaddafi acrescentou que as forças “colonialistas” estão muito fracas e têm medo de deixar que ele e seus apoiadores tenham voz. “Eles tentam esconder a realidade, sem deixar nossa voz ser ouvida. Estão tentando esconder sua fraqueza”, afirmou. “Deixe-me falar com meu povo, se nao tem medo de mim”.

Fonte: Folha.com

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