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Em PE, historiador e teólogo explicam reflexões da Paixão de Cristo

A cada ano, milhares de pessoas vão ao Agreste de Pernambuco para assistir ao espetáculo que conta os últimos dias de Jesus Cristo na Terra. A peça é encenada no maior teatro ao ar livre do mundo. No programa especial exibido neste sábado (7), o historiador Manoel Affonso de Mello e o teólogo Alexandre Ximenes analisam passagens da peça e ajudam a ampliar as reflexõs sugeridas por Jesus. O texto da montagem é do dramaturgo Plínio Pacheco e ajuda a entender como Jesus pensava e como era a Judeia na época em que ele morreu. São acontecimentos ocorridos há dois mil anos, mas que cobram reflexão e a busca de sua inserção no tempo presente.

Depois dos anúncio dos profetas Moisés e Elias sobre a chegada do filho de Deus, o espetáculo segue com a cena em que Jesus é tentado pelo demônio. A bíblia diz que Jesus passou 40 dias em jejum e orações antes de começar a fazer pregações para pequenos grupos que logo viraram multidões em Jerusalém, atraídas por palavras que falam da chegada de um novo tempo.

 Para Manoel Affonso, é importante saber que Roma, na época de Jesus, era a capital do mundo civilizado ao redor do Mediterrâneo. “A Galileia, onde Jesus vivia, a Judeia, que é o centro político-religioso dos israelitas, são províncias longínquas do Império Romano. Roma armou sua grandeza na conquista de terras, tributos e escravos”, explica Affonso. Daí, diz ele, nasce o direito romano para cobrar e pagar o exército e criar regras, mas também a crueldade, a espada, a cruz e a sombra.

Uma das cenas da peça se passa no grande templo de Salomão, local que chegou a ser reconstruído por Herodes, o Grande. “Até hoje há, em Jerusualém, um pedaço que é o muro ocidental do templo, conhecido como o Muro das Lamentações. Ali os sacrifícios eram feitos com animais morrendo e muito derramamento de sangue. Os vendilhões, que eram cambistas, vendiam esses animais pro sacrifício. Jesus entra e deixa claro que fé e comércio precisam andar separados”, afirma Ximenes.

As palavras de Jesus, que ganhava cada vez mais seguidores, irritavam os líderes religiosos, que buscavam um jeito de calar o nazareno. “Os hierocratas eram os representantes de Deus na Terra. Quando eles encontram Jesus, um novo messias, que propõe a libertação pelo amor e pela misericórdia, não pelo sacrifício e oferendas, aquilo leva a uma reunião de emergência”, esclarece Affonso.

Jesus sabia que o fim estava próximo e convocou os apóstolos para uma ceia onde entregou um pão molhado ao traidor que estava entre eles, Judas. “É uma demonstração de que até o mais indigno tem a oportunidade de conhecer as coisas do reino de Deus na terra”, ensina Ximenes.

Jesus e os apóstolos passam a noite no jardim do Getsêmani, ao pé do Horto das Oliveiras. É quando Cristo é tentadpo pelo demônio, recebe o beijo de traição de Judas e é preso, levado ao governador romano Pôncio Pilatos e enviado a Herodes. Segundo Manoel Affonso, “esse Herodes apresentado não é Herodes, o Grande, construtor do segundo templo. É o filho, é um rei, mas um rei títere, manobrado por Roma. Ele tem o poder de matar, o que os sacerdotes não tinham, mas eles queriam que Jesus fosse morto”.

 Affonso explica que Pilatos é um governante nomeado por Roma para cobrar impostos e administrar. “Ele não queria aquela incumbência [de matar Jesus], daí lava as mãos, como se pudesse se livrar da culpa”, traduz o historiador. A crucificação de Cristo é ordenada – ele é torturado e condenado a carregar a cruz até o Monte Calvário, que ficava fora das muralhas. No caminho, encontra com a mãe, Maria.

 Na bíblia, como na encenação, a presença das mulheres é discreta. Na crucificação, dos 12 apóstolos, apenas João está presente. São as mulheres que descobrem que Jesus ressuscitou. “Dos 12, um negou, um traiu, outro fugiu despido… E o único que chegou à cruz foi João. Mas as mulheres ali estavam presentes e uma delas, Maria Madalena, foi a grande mensageira da ressureição. Com a presença de João aprendemos que a única motivação sadia para a fé é o amor. E aprendemos que o cristianismo eleva a mulher a outro patamar dentro de uma sociedade machista e patriarcal. Cabe à mulher a maior mensagem da fé cristã: dizer que ele está vivo”, ensina o teólogo Ximenes.

Fonte: Do G1 PE

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