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‘Estrangeiros’ ajudam Brasil na briga por medalhas

Brasileiros nascidos nos EUA, na Alemanha, na França, no Líbano, em Cuba, em Belarus e no Iraque. Assim também é formada a delegação do Brasil no Pan.

Dos 518 atletas da equipe brasileira em Guadalajara, dez nasceram fora do país, nove deles por acaso.

Muitos são filhos de brasileiros que estavam trabalhando no exterior, como a ciclista Sumaia Ali dos Santos Ribeiro, de 29 anos.

O pai, Natalino, eletrotécnico, foi trabalhar em uma empreiteira brasileira no Iraque. A mãe, Sarah, grávida de cinco meses, foi junto e teve duas filhas em Bagdá.

  Daniel Marenco/Folhapress  
A ciclista Sumaia Ali, 29, treina em Guadalajara
A ciclista Sumaia Ali, 29, treina em Guadalajara

A caçula virou atleta, primeiro de vôlei e, depois, de ciclismo. E cogitou até defender a seleção iraquiana, devido à falta de estrutura do esporte no Brasil.

“Nunca cheguei a ter contato direto com eles [iraquianos]. Mas lembro que mataram um técnico da equipe. Desisti”, contou Sumaia, que mudou-se para o Brasil com menos de dois anos de idade.

O único caso de atleta que se naturalizou brasileiro devido ao esporte é o do cubano Alexis Árias Mestre, 41.

Em 1998 o remador “virou” brasileiro, mas, devido a um contrato com o governo de Cuba, ficou impossibilitado de competir por oito anos.

Em 2007, no Pan do Rio, ficou em quarto. Agora, em Guadalajara, tem chance de conseguir uma medalha. Dessa vez, como brasileiro.

  Adriano Vizoni – 13.mai.11/Folhapress  
Karina Lakerbai, 22, que nasceu em Belarus
Karina Lakerbai, 22, que nasceu em Belarus

Adrian Jaude, 30, da luta, e Karina Lakerbai, 22, da esgrima, terminaram no Brasil ao fugir de desastres.

Ele deixou o Líbano em guerra. Ela, com a saúde debilitada, saiu com a família da antiga União Soviética porque morava perto de uma área afetada pelo desastre nuclear de Chernobil (Ucrânia).

Outros três brasileiros são, de nascimento, americanos.

Rosângela Santos, 20, revelação do atletismo nacional, de Boston; Christiane Lorenzon Botros, 23, é de Teaneck mas desenvolveu-se na Europa. E Patrícia Freitas, 21, da vela, é de Washington.

Se os americanos são maioria em relação à nacionalidade, Paris é a única cidade com dois representantes na equipe verde-amarela no Pan.

Os franceses do Brasil são a goleira da seleção de polo aquático, Tess de Oliveira, 24, e o cavaleiro Rodrigo Pessoa, 38, campeão olímpico em 2004 e atualmente competidor e técnico da equipe brasileira de saltos no hipismo.

Outra europeia é Biancca Miarka, 29. Nascida Nördlingen, na Alemanha, a então judoca teve que abandonar a modalidade depois que rompeu os ligamentos do joelho na seletiva para o Pan do Rio. Logo começou a praticar remo e, agora, em outro esporte e em outro país que o seu de origem, representa o Brasil em Guadalajara.

Com a Folha.com

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