Willames Costa

Compromisso com a informação

Saúde

EUA analisam riscos de novos remédios para evitar derrame

A nova geração de remédios anticoagulantes para evitar derrames cerebrais, tida como esperança de tratamento para pacientes que não se adaptam com as drogas antigas, está sendo observada de perto pelo governo americano.

Relatos de sangramento ocorridos em pacientes que tomam o remédio dabigatrana (Pradaxa) estão sendo monitorados pela FDA (agência americana que regula remédios e alimentos).

O objetivo é determinar se o remédio causa mais hemorragias do que a varfarina, droga usada há cerca de 50 anos para evitar a formação de coágulos que podem interromper a circulação de sangue no cérebro e levar a um acidente vascular cerebral (AVC).

O Pradaxa, fabricado pela Boehringer Ingelheim, foi aprovado em agosto pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Outra droga do mesmo grupo, a rivaroxabana (Xarelto, da Bayer), foi liberada nesta semana pela vigilância no Brasil.

ESPERANÇA
A aprovação dessas novas drogas era muito aguardada por causa das dificuldades do tratamento com o anticoagulante tradicional, a varfarina.

Quem toma esse remédio precisa fazer exames periódicos do nível de coagulação, para saber se o remédio está funcionando e se a dose deve ser ajustada.

Além disso, o efeito da varfarina pode ser modificado se a pessoa tomar outros remédios e até de acordo com sua alimentação. Os novos remédios dispensam esses cuidados. Em estudos patrocinados por seus fabricantes, eles conseguiram demonstrar que são ao menos tão eficazes quanto a varfarina para evitar derrames e causam um número similar de problemas de hemorragia.

O problema é que, agora que os remédios estão no mercado, é preciso determinar se o risco de sangramentos é maior do que o detectado pelos estudos.

“Os medicamentos são testados em pessoas com poucos problemas clínicos e jovens. Quando isso é aplicado à população, aumentam as chances de complicação. Mas, por enquanto, não há nada preocupante”, afirma o cardiologista Evandro Tinoco, diretor clínico do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.

Em carta ao “New England Journal of Medicine”, médicos americanos do Centro de Pesquisa Translacional em Lesões em Houston relatam complicações em pacientes que tomam dabigatrana, sofrem hemorragia e precisam de atendimento emergencial.

Se a pessoa é tratada com os remédios antigos, é possível usar um “antídoto” que restaura rapidamente a coagulação, estancando o sangramento. Para os novos, não há uma medida rápida. A solução é tirar o remédio de circulação com diálise.

A neurologista Sheila Martins, presidente da Rede Brasil AVC, diz que já há antídotos em estudo para os novos anticoagulantes. “Fizemos uma pesquisa em nove hospitais no país e só 8% dos pacientes que precisam tomar anticoagulantes estavam em tratamento. Os remédios evitam derrames e só 1% dos pacientes sangram. O pior é não tomar e arriscar um AVC.”

EDITORA-ASSISTENTE DE “SAÚDE”

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *