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EUA defendem reconciliação na “nova Líbia”, diz Hillary em Paris

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, pediu nesta quinta-feira que os líderes interinos da Líbia busquem reconciliação, e não vingança, depois da vitória sobre Muammar Gaddafi. Ela prometeu apoiar a transição para a democracia.

Hillary disse que a campanha militar da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) deve continuar enquanto civis estiverem sob ameaça, mas afirmou que as sanções das Nações Unidas devem ser retiradas de forma responsável e que os novos líderes devem ter o assento da Líbia na ONU (Organização das Nações Unidas).

“O trabalho não termina com o fim de um regime opressivo”, afirmou ela no encontro internacional, em Paris, sobre o futuro da Líbia. “Ganhar uma guerra não dá garantia de ganhar a paz que a segue. O que acontece nos próximos dias será crucial.”

A chefe da diplomacia americana falou antes do pronunciamento do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que anunciou um “pedido unânime para desbloquear os bens líbios” de US$ 15 bilhões e disse que as operações da Otan “continuarão enquanto [o ditador Muammar] Gaddafi representar uma ameaça”.

“Decidimos entrar com pedido unânime para desbloquear os bens líbios, os fundos de [Muammar] Gaddafi e seus aliados devem retornar aos líbios”, disse Sarkozy durante coletiva.

  Philippe Wojazer/Reuters  
Delegação posa durante conferência em Paris; países defendem desbloqueio de US$ 15 bilhões da Líbia
Delegação posa durante conferência em Paris; países defendem desbloqueio de US$ 15 bilhões da Líbia

Ele afirmou ainda que a intervenção da Otan e seus aliados “salvou milhares de vidas” e que todos os países europeus presentes estão dispostos a reabrir suas embaixadas em Trípoli após a transição de poder no país. O líder francês disse também que o Conselho Nacional de Transição (CNT) deve iniciar um processo de “reconciliação e perdão” na Líbia.

Além dos membros da Otan e seus aliados, a reunião em Paris contou com a participação de 63 países, entre eles o Brasil.

Ele é tido como um dos principais articuladores da coalizão que implementou as resoluções 1970 e 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que visavam a criação de uma zona de exclusão aérea em defesa dos civis. Tais ataques aéreos continuarão enquanto forem necessários para proteger o povo líbio, acrescentou.

Sarkozy agradeceu especialmente aos três países árabes que ajudaram na operação: Qatar, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.

  Ian Langsdon/Efe  
Sarkozy ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton
Sarkozy ao lado da secretária de Estado americana, Hillary Clinton

“Desde o primeiro dia eles estiveram do nosso lado. Não teríamos entrado na Líbia sem as resoluções da ONU, e sem a presença dos países árabes”, afirmou.

O primeiro-ministro britânico disse ainda que Sarkozy foi estratégico em reunir nações de “leste, oeste, norte e sul, muçulmanas e cristãs”, com o mesmo objetivo, de libertar a Líbia dos horrores de Gaddafi.

O francês disse que a União Europeia tem em mente que o Mediterrâneo é parte de suas fronteiras e que cabe aos europeus protegê-lo. “A Otan deu um passo adiante nessa operação, em comparação com a Bósnia, por exemplo [quando a aliança foi criticada por demorar para intervir na guerra civil, nos anos 90]”.

Mahmoud Jibril, líder do CNT, disse que o “povo líbio mostrou que conseguiu atingir sua luta pela liberdade” e que seu compromisso com a população agora é de criar um novo país, guiado pelos valores da tolerância, do perdão e da lei.

Também nesta quinta-feira, o CNT estendeu em uma semana o prazo de rendição da cidade de Sirte, o último bastião de apoio ao ditador Muammar Gaddafi. O prazo anterior era sábado, dia 3 de setembro. Os rebeldes afirmam que irão atacar a cidade se os gaddafistas não se renderem.

DA REUTERS, EM PARIS

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