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EUA levam basquete a jovens carentes de SP em projeto de quase R$ 500 mil

Na quadra de cimento dentro do conjunto habitacional em Sapopemba, zona leste de São Paulo, Dandara joga futebol e vôlei com meninos e meninas. Já não pratica mais basquete, pois a tabela quebrou e não foi substituída.

Em 2012, porém, ela vai poder voltar a dar seus arremessos em uma quadra nova. Mas não na que fica ao lado de seu apartamento, onde cuida das unhas pintadas de rosa e tem pôsteres de Justin Bieber e de Neymar colados na parede do quarto. Vai ser em outra, melhor, na região central de São Paulo.

Zé Carlos Barretta – 13.dez.11/Folhapress
Dandara brinca com a bola de basquete em quadra do conjunto habitacional onde mora
Dandara brinca com a bola de basquete em quadra do conjunto habitacional onde mora

Nas últimas semanas, Dandara Oliveira Mesquita, 15, também começou a sonhar em fazer uma universidade nos Estados Unidos. E passou a sonhar com um futuro melhor para a mãe funcionária pública estadual com quem mora sozinha e cuida da avó, Cassilda. Com o pai, teve contato apenas uma vez na infância, e não quis mais.

Dandara é uma das 40 jovens (20 meninas e 20 meninos), de 15 a 17 anos, que fazem parte de um programa social do Consulado dos EUA em São Paulo, em parceria com o Sesc, lançado em dezembro e chamado “Estrelas do Basquete”.

Segundo o Consulado, este é o primeiro investimento do governo americano diretamente ligado ao esporte no Brasil, feito por meio do “Inovation Program”, que já tem ações culturais no país.

O dinheiro vindo de Washington é de aproximadamente R$ 230 mil. O programa, com duração de um ano, custará cerca de US$ 250 mil (mais de R$ 460 mil, complementados pelo Sesc).

Os jovens vão receber, três vezes por semana, aulas de basquete, inglês e liderança.

A princípio, a parte esportiva seria coordenada pelo ex-jogado americano Don Hunter junto a professores do Sesc. Mas o americano, que já jogou e foi técnico no Brasil, teve problemas de saúde e pode deixar o projeto.

As aulas serão dadas pela escola de idiomas Alumni. Além disso, haverá palestras com esportistas, artistas e personalidades que vão falar sobre conceitos de liderança para os jovens.

Zé Carlos Barretta – 13.dez.11/Folhapress
Aos 15 anos, Dandara agora sonha em deixar a zona leste rumo a uma Universidade nos EUA
Aos 15 anos, Dandara agora sonha em deixar a zona leste rumo a uma Universidade nos EUA

“Eu já quis ser atleta. Quando fazia atletismo no Centro Olímpico, depois de um ano, estava começando a me destacar, ganhar medalha, e me empolguei. Mas tive que sair porque minha mãe queria que eu fizesse um curso de espanhol. Ela pega no meu pé com namorado e estudo, por isso sempre me coloca em cursos”, lembra Dandara, magra, alta e inquieta.

Ela quer se graduar em educação física. Seria a primeira da família a concluir uma faculdade, diz a avó que criou seus sete filhos sem o marido, falecido antes de ela se mudar do Paraná para São Paulo.

“Pelo menos 50% dos jovens que entrevistamos tem a esperança de ir para os Estados Unidos, cursar uma universidade lá. Estão ávidos por uma oportunidade. O que coloca sobre nossos ombros uma grande responsabilidade”, avalia Maria Estela Corrêa, assessora cultural e responsável pelo projeto no Consulado em São Paulo.

Na fase final de seleção, 200 jovens passaram por testes de aptidão física e de inglês, além de entrevistas. Todos são alunos da rede pública de ensino, considerados em situação de risco.

“Vejo que existe uma transformação por parte da política externa dos Estados Unidos. Há o interesse de aproximar os dois países e seus jovens por meio das nossas semelhanças, a música, o esporte”, diz Maria Estela.

Zé Carlos Barretta – 13.dez.11/Folhapress
Dandara foi uma das escolhidas para um projeto social do Consulado dos EUA em São Paulo em parceria com o Sesc
Dandara foi uma das escolhidas para um projeto social do Consulado dos EUA em São Paulo em parceria com o Sesc

“A OPORTUNIDADE BATE UMA VEZ NA PORTA DA GENTE”

A frase acima, de uma outra jovem do projeto, pode parecer clichê mas, para Danielle dos Santos Medeiros, 15, é reflexo do esforço que a família vai fazer em nome dela.

Danielle é a única das escolhidas a morar fora da região metropolitana. Vai deixar Ituverava, a 400 km de São Paulo, para participar do projeto. Pode morar com uma tia, na capital, caso o pai, Daniel, servente de pedreiro, não consiga trabalho em Guarulhos, onde já viveu.

A mãe vai ficar no interior, cuidando da filha caçula, Danila, de 3 anos, que faz tratamento em Ribeirão Preto em razão de uma doença genética chamada leucodistrofia matacromática.

Pela irmã, Danielle quer estudar medicina. E, agora, jogar basquete, estudar inglês e não perder a oportunidade que bateu em sua porta no interior, como na de Dandara, na zona leste, e em outras 38 por aí.

Com a Folha.com

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