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Expectativa do BC para 2012 é de ‘cenário tranquilo’

Apenas nos 11 primeiros meses deste ano a União, os governos estaduais e municipais e as estatais já cumpriram 99% da meta de superavit primário para 2011 (ou seja, a economia feita pelo setor público para pagamento de juros da dívida).

Em novembro, o resultado do setor público foi positivo em R$ 8,2 bilhões, ou R$ 126,8 bilhões no acumulado do ano (o equivalente a 3,36% do Produto Interno Bruto). No mesmo período do ano passado, o superavit foi de R$ 90,8 bilhões, ou 2,65% do PIB. A meta estabelecida para 2011 é de R$ 127,9 bilhões.

Praticamente cumprida a meta deste ano, a dúvida agora é como será 2012, quando as pressões por gastos serão bem maiores. Neste ano, o governo elevou o esforço fiscal em R$ 10 bilhões. Mas, no ano que vem, além de eleições municipais, quando os governos gastam mais para eleger candidatos, haverá uma despesa extra de quase R$ 50 bilhões no Orçamento da União. Apenas com o aumento real de 7,5% no salário mínimo, os gastos federais devem ficar R$ 23 bilhões mais altos.

“Em 2011 se voltou à normalidade fiscal depois de dois anos difíceis, 2009 e 2010. Estes foram anos atípicos em termos de desempenho, principalmente porque o nível da atividade econômica foi afetado pela crise internacional, impactando a arrecadação”, afirmou Túlio Maciel, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.

Ele afirmou que a expectativa do BC para 2012 é de um “cenário tranquilo”, a despeito das pressões por gastos. “Trabalhamos com um superavit primário de 3,1%, alta de 3,5% do PIB, uma Selic em 9,7% ao ano no final de 2012, IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] de 5,39% e o câmbio a US$ 1,75 em dezembro.”

Com esses parâmetros, diz Maciel, será possível reduzir o deficit nominal, hoje de 2,4%, para 1,2% no final do ano que vem. “A inflação será menor e a expectativa do mercado é que os juros básicos caiam”, justificou o economista.

Em novembro, a dívida líquida do setor público chegou a R$ 1,508 bilhão, chegando a 36,6% do PIB, queda de 0,8 ponto percentual em relação ao mês anterior. O BC afirma que a depreciação cambial contribuiu para o resultado.

O governo central (governo federal, Banco Central e INSS) registrou superavit de R$ 4,8 bilhões no mês passado. Estados e municípios tiveram resultado positivo em R$ 2,6 bilhões, e as estatais, de R$ 773 milhões.

JUROS

De janeiro a novembro, os juros devidos aos detentores de papéis públicos somaram R$ 216,1 bilhões (o equivalente a 5,72% do PIB), valor que supera o registrado em 2010 no período.

Segundo o BC, esse aumento foi influenciado pela maior variação do IPCA e de um patamar mais elevado da Selic (taxa básica de juros da economia).

Com a Folha.com

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