Willames Costa

Compromisso com a informação

Brasil

Falta de planta pode prejudicar apuração sobre desabamento no Rio

A planta original do edifício Liberdade encontrada pela Prefeitura do Rio contribuirá pouco para elucidação das causas do desabamento. Isto porque se trata de planta arquitetônica, sem dados sobre a estrutura do prédio de 20 andares que desabou sobre outros dois, na semana passada.

Leia cobertura sobre o desabamento no Rio
Veja imagens dos cães que auxiliam buscas
Veja galeria de fotos do desabamento
Vídeo mostra cenário caótico após desabamento
Bombeiros encontram restos mortais em terreno da Comlurb
Cães farejadores trabalham até 8 horas em busca no Rio
Mais duas vítimas do desabamento são identificadas
Veja o perfil das vítimas do desabamento no Rio

“Não são plantas de estrutura. Trazem registros arquitetônicos, da divisão interior dos andares e de autorizações da prefeitura, mas nada sobre a localização de vigas e pilares”, diz Cláudio Nóbrega, especialista em estrutura do Clube de Engenharia.

Engenheiros e a própria prefeitura dizem que dificilmente a planta estrutural será encontrada, pois edifícios antigos não costumam ter arquivos desses projetos.

O que os papéis achados até o momento revelam é que os acréscimos de andares foram autorizados. O projeto inicial aprovado em 1938 era de 15 andares, mas, um ano depois, os construtores obtiveram aprovação para mais três.

Essa ampliação, porém, foi construída com um recuo em forma de pirâmide. Em 1950, a prefeitura novamente autorizou o prédio a completar essa área de recuo, dando ao edifício o formato recente.

ArteFolha

RESPONSABILIDADE

Uma troca de e-mails entre o síndico do Liberdade, Paulo Renha, e seu advogado, Geraldo Simões, mostra que Renha estava preocupado com as obras realizadas pela TO (Tecnologia Organizacional).

Na mensagem, de 3 de novembro, o síndico pede uma carta formal a ser enviada aos donos da empresa com uma definição clara de que seria deles a “total e completa responsabilidade sobre o que acontecer”, caso não fossem cumpridas as determinações.

Entre elas: colocação de tubo para escoar entulho, laudo de engenheiro atestando que a laje do terceiro andar suporta o peso e ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), documento assinado por engenheiro e registrado no Crea.

Victor R. Caivano/Associated Press
Bombeiro busca vítimas nos escombros dos prédios que caíram no centro do Rio; veja galeria de fotos
Bombeiro busca vítimas nos escombros dos prédios que caíram no centro do Rio; veja galeria de imagens

No dia seguinte, o advogado fez uma notificação formal. A empresa respondeu duas semanas depois e apresentou laudo do engenheiro Paulo Brasil atestando que a laje suportava o peso do entulho.

Sérgio Oliveira, sócio da TO, diz que cumpriu todas as exigências, menos a da ART, por entender que, como não se tratava de reforma estrutural, não era preciso acompanhamento por engenheiro.

A TO fazia obras ainda no nono andar, que, diz o advogado, também foram contestadas. O registro, porém, se perdeu, pois estava no prédio.

Com a Folha.com

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *