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FHC afirma que ‘Brasil cansou’ e defende CPI de Cachoeira

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (esq.), ao chegar ao Congresso, cumprimenta o presidente da Câmara, Marco Maia (Foto: J.Batista / Agência Câmara)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (esq.),

ao chegar ao Congresso, cumprimenta o
presidente da Câmara, Marco Maia (Foto: J.Batista /
Agência Câmara)

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) defendeu nesta terça-feira (17), em Brasília, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de que políticos de diversos partidos atuaram para beneficiar o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela Polícia Federal e acusado de chefiar um esquema de jogo ilegal.

“Eu acho que o Brasil precisa passar a limpo as questões com serenidade. Nós cansamos de ver o grau de corrupção existente que, infelizmente, atinge a quase todos os partidos. Acho que o Brasil cansou, então, talvez, seja o momento de o Congresso crescer, fazermos uma CPI que vá à raiz da questão. O Congresso, nesse momento, tem que fazer [a CPI]”, disse o ex-presidente.

FHC participou nesta terça de cerimônia de lançamento do documentário “A Construção de Fernando Henrique”, do diretor Roberto Stefanelli. O evento contou com a presença do presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). O ex-presidente falou com jornalistas na saída do evento.

Durante o lançamento, FHC, que foi presidente entre 1995 e 2002, citou, em discurso, sua relação com o Congresso. “Eu tentei mudar muita coisa no Brasil, eu me empenhei muito em fazer mudanças e fiz. E reformas, muitas vezes, implicavam em uma relação tensa com o Congresso, mas eu me jogava a fundo”.

Ele afirmou ainda que “um Congresso digno é um Congresso que não se cala e não abaixa a cabeça”.

Marco Maia, que também discursou, disse que FHC “é um verdadeiro democrata, alguém que soube no curso de sua vida reafirmar os valores democráticos”. O presidente da Câmara concluiu que “ninguém pode questionar o papel determinante que [FHC] teve”.

‘Recuo’
Também nesta terça, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, negou no Senado que haja orientação do Planalto para um “recuo” no que diz respeito à instalação da CPI, que pretende investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com políticos, autoridades e empresários.

Segundo a ministra, a preocupação do governo é de que as votações de propostas consideradas relevantes não sejam prejudicadas.

“Eu não tenho informação sobre recuo [da CPI]. Da nossa parte, estamos focados para fazer que as votações continuem dentro da normalidade […] Semana passada tivemos uma semana bastante produtiva em termos de votação. Da nossa parte, a orientação é a normalidade e continuidade das votações”, disse Ideli.

Indicações dos nomes
O líder do Bloco de Apoio ao Governo no Senado, Walter Pinheiro (PT-BA), afirmou que o grupo começará nesta terça a fazer as indicações dos nomes para compor a comissão.

Compõem o bloco 25 senadores do PT, PDT, PSB, PC do B e PRB. Nesta terça, o grupo se reúne ao meio-dia para definir os indicados e conferir as assinaturas dos senadores que apoiam a CPI. Para que o pedido de criação seja protocolado na Mesa do Congresso, são necessárias 27 assinaturas no Senado e 171 na Câmara. Só depois dessa etapa, a CPI será instalada e os membros oficializados (15 senadores e 15 deputados, com igual número de suplentes).

Os cargos mais cobiçados pelos partidos são os da presidência e da relatoria, que conduzem as investigações. Regimentalmente, esses cargos pertencem às maiores bancadas – PMDB, no Senado, e PT, na Câmara.

Segundo a Secretaria da Mesa, entre os 15 integrantes do Senado, o bloco da maioria (PMDB) terá direito a cinco indicações. Outras cinco vagas seriam do bloco do governo. Nesse bloco, uma vaga deve ficar com o senador Pedro Taques (PDT-MT).

O bloco União e Força, recém-formado no Senado por PTB, PR e PSC, tem direito a duas vagas. O líder do bloco, senador Gim Argello (PTB-DF), já anunciou a indicação dos senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Vicentinho Alves (PR-TO).

Fonte: Do G1, em Brasília

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