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Fidel critica ‘cinismo’ de EUA, Espanha e UE por morte de opositor

O ex-ditador cubano Fidel Castro criticou nesta quarta-feira os Estados Unidos, a Espanha e a União Europeia (UE) por seus comentários sobre a morte do opositor preso Wilman Villar em uma greve de fome, na semana passada, ao dizer que as declarações mostram “o incrível cinismo que gera a decadência do Ocidente”.

“Ilustram isso alguns telegramas que desejo analisar porque mostram o incrível cinismo que gera a decadência do Ocidente. Um deles fala de um preso político cubano que, segundo se afirma, morreu depois de uma greve de fome que durou 50 dias”, afirmou Fidel.

Villar, um operário do setor têxtil de 31 anos, morreu na última quinta (19) num hospital de Santiago de Cuba (a 900 km a sudeste de Havana) depois de 50 dias de greve de fome para exigir sua liberdade, segundo a dissidência. Era membro da União Patriótica de Cuba, grupo opositor dirigido pelo ex-preso político José Daniel Ferrer.

France Presse – 10.set.2011
Imagem de arquivo mostra o dissidente cubano Wilman Villar, morto na quinta-feira (19) após greve de fome
Imagem de arquivo mostra o dissidente Wilman Villar; Fidel critica ‘cinismo’ de países que condenaram morte

Fidel recorda que, em um editorial do jornal “Granma”, publicado na segunda-feira, “se afirma que não houve tal greve de fome; ele era um recluso por delito comum, punido com 4 anos por agressão que provocou lesões no rosto de sua esposa e que a própria sogra pediu a intervenção das autoridades”.

“Um jornalista do Granma, Juventud Rebelde ou qualquer outro órgão revolucionário, pode se equivocar sobre qualquer tema, mas jamais fabrica uma notícia ou inventa uma mentira”, afirmou Fidel, que raramente trata de temas internos em suas “reflexões”.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pediu na segunda-feira ao governo cubano que faça reformas para garantir o respeito aos direitos humanos, após a morte do opositor.

A CIDH condenou a morte de Villar e expressou solidariedade a seus familiares em um comunicado.

DISSIDENTE

Na sexta-feira (20), o governo de Cuba afirmou que o prisioneiro Wilman Villar não era dissidente nem estava em greve de fome, em nota divulgada no site oficial Cubadebate que o qualifica como “preso comum”.

“Cuba lamenta a morte de qualquer ser humano; condena energicamente as grosseiras manipulações de nossos inimigos, e saberá desmontar esta nova agressão com a verdade e a firmeza que caracteriza nosso povo”, declarou o governo da ilha em seu comunicado.

Segundo as autoridades cubanas, Villar foi preso em 25 de novembro por desacato, atentado e resistência durante “um escândalo público no qual agrediu e provocou lesões no rosto de sua esposa, pelo que sua sogra solicitou a intervenção das autoridades e dos agentes da PNR (Polícia Nacional Revolucionária), que também foram agredidos”.

Após “ter cometido esse delito, Villar foi processado em liberdade e começou a ter contato com elementos contra-revolucionários em Santiago de Cuba, que fizeram-no crer que seu suposto vínculo com esses grupos de mercenários permitiria a ele escapar da ação da Justiça”, acrescenta a nota.

Sobre as causas da morte de Villar, o governo indica que em 13 de janeiro o preso foi levado com urgência da penitenciária de Aguadores, na província de Santiago de Cuba, ao hospital Santiago Lora “depois de apresentar sintomas de uma pneumonia severa no pulmão esquerdo”.

De acordo com o Executivo, no centro médico Villar recebeu “todas as atenções para este tipo de doença, entre elas ventilação e nutrição artificial, hemoderivados, drogas vasoativas e antibióticos de última geração”.

De acordo com a versão oficial, Wilman Villar morreu na tarde da última quinta (19) após “falha múltipla dos órgãos decorrente de um processo respiratório séptico severo”.

“Seus familiares mais próximos estiveram ao corrente de todos os procedimentos empregados em seu atendimento médico, além de reconhecer o esforço da equipe de especialistas que o atendeu”, indica a nota oficial.

Alejandro Ernesto/Efe
Damas de Branco fazem protesto com retratos do opositor Wilman Villar, morto na quinta (19) após greve de fome
Damas de Branco fazem protesto com retratos do opositor Wilman Villar, morto na quinta (19) após greve de fome

DA FRANCE PRESSE, EM HAVANA

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