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Forças sírias voltam a atacar Homs; ONU condena “brutalidade”

Forças sírias lançaram nesta quinta-feira foguetes e morteiros contra redutos oposicionistas na cidade de Homs, disseram ativistas, enquanto as potências mundiais tentam superar suas divisões e encontrar uma saída para a crise na Síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a violência da ação governamental em Homs, epicentro de uma revolta contra o ditador Bashar al Assad que começou há quase um ano e se torna mais sangrenta a cada dia.

Reuters
Fumaça cobre região de Al Malaab, perto de Homs
Fumaça cobre região de Al Malaab, perto de Homs; forças sírias voltam a atacar região

“Temo que a apavorante brutalidade que estamos testemunhando em Homs, com disparos de armas pesadas contra bairros civis, seja um sombrio prenúncio do que está por vir”, disse Ban a jornalistas.

Ativistas e moradores relataram centenas de mortos na última semana em Homs, e, no alvorecer da quinta-feira, uma nova chuva de foguetes e morteiros caiu sobre Baba Amro, Khalidiya e outros bairros. Veículos blindados chegaram para reforçar as posições do governo no leste da cidade.

Há crescente preocupação com a situação dos civis, e os Estados Unidos disseram estar estudando formas de levar alimentos e remédios a eles –o que aprofundaria o envolvimento internacional em um conflito com amplas repercussões geopolíticas, e que divide as principais potências.

A Turquia, ex-aliada de Assad, disse que vai promover uma conferência internacional para discutir o envio de ajuda e possíveis soluções para a crise.

“Não basta ser um observador”, disse à Reuters o chanceler turco Ahmet Davutoglu, antes de embarcar para Washington, onde discutiria a situação.

INTERFERÊNCIA

Mas Rússia e China, que no domingo (5) vetaram uma resolução do Conselho de Segurança contra Assad, alertaram contra qualquer “interferência” estrangeira. Pequim, no entanto, informou ter recebido nos últimos quatro dias uma delegação da oposição síria, num inédito contato desse tipo.

A Liga Árabe também contribui para o isolamento do regime sírio, e seus ministros devem se reunir no domingo para discutir seus próximos passos – o que pode incluir a retomada da missão de monitoramento que foi suspensa no mês passado por causa da violência.

A ONU estima que mais de 5.000 pessoas, a maioria civis, tenham sido mortas em 11 meses de repressão aos protestos pró-democracia na Síria. Nos últimos meses, a situação se aproxima de uma guerra civil, com a entrada em cena de militares desertores e de outros insurgentes armados. O governo diz estar enfrentando “terroristas” patrocinados pelo exterior.

A Comissão de Coordenação da Revolução Síria disse que pelo menos mais 30 civis foram mortos na manhã de quinta-feira em bairros sunitas de Homs, principais focos dos ataques das forças governamentais, dominadas por membros da seita minoritária alauíta, à qual Assad pertence.

IMAGENS

Um vídeo no YouTube mostrou a rua principal de Baba Amro cheia de detritos, e pelo menos uma casa destruída. Ativistas locais disseram que soldados usaram um canhão antiaéreo para demolir o imóvel.

O vídeo também mostra um jovem colocando em um caminhão dois cadáveres envoltos em cobertores. Dentro da casa, surgem o que parecem ser partes de corpos.

A Organização Síria de Direitos Humanos (Sawasiah) disse em nota nesta semana que a ofensiva em Homs já deixou pelo menos 300 mortos e mil feridos. Ativistas disseram que vários bairros da cidade estão sem água e luz, e que há escassez de mantimentos.

É difícil confirmar os relatos feitos pela oposição síria, porque o governo expulsou do país a maioria dos correspondentes estrangeiros.

DA REUTERS, EM AMÃ E BEIRUTE

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