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Funcionários de hotéis de Nova York terão botão de pânico


The New York Times
Os operadores dos maiores hotéis de Nova York assinaram um novo contrato de trabalho com o seu pessoal de serviço a hóspedes que resultará em aumentos consideráveis de salários, planos médicos superiores, melhores esquemas de pensão e um benefício incomum: botões de pânico pessoais.

O sistema de segurança permitiria que o funcionário solicitasse socorro caso encontre perigo no quarto de um hóspede -uma possibilidade que foi demonstrada com clareza quanto uma camareira de hotel acusou o político francês Dominique Strauss-Kahn de agressão sexual na suíte que ele ocupava no Sofitel Hotel de Nova York, em 2011.

Uma cláusula do novo contrato determina que os hotéis equipem certos funcionários com “aparelhos portáteis que possam ser ativados de maneira rápida e fácil para buscar assistência imediata”.

Os aparelhos, que passarão a ser distribuídos dentro de um ano a camareiras, pessoal de room service e até aos repositores dos frigobares, podem variar de hotel a hotel por motivos técnicos, mas todos terão como propósito básico convocar assistência. Não havia estimativa disponível quanto ao custo do sistema, na terça-feira.

“Será uma maneira simples e com bom custo/benefício de manter seguros os funcionários dos hotéis”, disse Rory Lancman, vereador democrata por Queens, que no ano passado apresentou um projeto de lei que determinava que os hotéis deveriam fornecer esse tipo de equipamento ao seu pessoal. “Depois do que aconteceu no ano passado e do que descobrimos acontecer com frequência demasiada em hotéis, ficamos muito gratos aos hotéis por terem, essencialmente, encampado a premissa de nosso projeto”.

Nem representantes de sindicatos e nem representantes dos hotéis quiseram afirmar que a cláusula havia surgido como resultado do caso de Strauss-Kahn, que terminou em agosto com a retirada das acusações inicialmente apresentadas contra ele, depois que os promotores decidiram que a acusadora, Nafissatou Diallo, não era testemunha confiável.
Mesmo assim, depois que Strauss-Kahn foi detido pela polícia, no segundo trimestre de 2011, o Sofitel e o Pierre, outro hotel de Manhattan, anunciaram que ofereceriam um sistema de botão de pânico aos seus funcionários. Uma porta-voz do Pierre, Nora Walsh, disse na teça-feira que o hotel estava “implementando o sistema de comunicação”, mas não revelou quaisquer detalhes.

Os botões de pânico podem se provar a menos dispendiosa das cláusulas do novo contrato coletivo, cujos termos foram anunciados na noite de terça-feira aos 30 mil integrantes do sindicato dos funcionários de hotelaria de Nova York, parte da central-sindical AFL-CIO. O contrato de sete anos foi aprovado pelo conselho da Associação de Hotéis de Nova York e deve ser ratificado pelo sindicato dos funcionários na segunda-feira.

Ele incluirá aumentos anuais que elevarão os salários em 29% durante seu período de vigência. O novo contrato deve elevar o salário médio de um camareiro de US$ 46.337 a US$ 59.823, de acordo com John Turchiano, um porta-voz do sindicato de trabalhadores hoteleiros.

A proposta também garante que os funcionários sindicalizados mantenham os planos de saúde, incluindo assistência oftalmológica e dentária, para eles e seus familiares, sem pagamento de contribuições ou franquias em caso de consulta, disse Turchiano. Além disso, os hotéis elevarão gradualmente sua contribuição ao plano de pensão de seus funcionários, de 9% para 10,5% de suas folhas totais de pagamento.

BOLHA HOTELEIRA

Perguntado sobre as concessões que o sindicato fez em troca, Peter Ward, presidente da organização, respondeu: “Nenhuma”.
Ward reconheceu que, em uma economia fraca como a atual, sindicatos antes poderosos estão se vendo forçados a aceitar cortes de salários e congelamento de contribuições de pensão, e que portanto o contrato novo com os hotéis parece extraordinário. Mas apontando para a alta nas diárias dos hotéis e seu elevado índice de ocupação, ele declarou que “é preciso reconhecer que o setor de hotelaria vive uma bolha em Nova York”.

“Não vemos coisa parecida no setor hoteleiro de outras cidades norte-americanas”, disse.
Mas uma porta-voz da associação dos hotéis, Lisa Linden, respondeu que “os hotéis de Nova York não estão nadando em dinheiro; continuam a enfrentar desafios e incertezas”.

“O setor atribui grande valor ao seu pessoal, e a segurança dele é uma de nossas maiores preocupações”, acrescentou.
Joseph Spinnato, presidente da associação hoteleira, disse que os proprietários de hotéis estavam satisfeitos com a conclusão amigável das negociações de renovação, cinco meses antes do término do contrato atual.

“De forma construtiva e cooperativa, conseguimos chegar a um acordo bom para nossos membros, o sindicato e a cidade de Nova York, e com antecedência”, disse.
O contrato se aplicará aos funcionários da maioria dos grandes hotéis da cidade, mas não os operados pelo Blackstone Group sob a marca Hilton, entre os quais o New York Hilton e o Waldorf-Astoria. Os trabalhadores desses hotéis, que montam a três ou quatro mil pessoas, passarão por negociação separada, disse Ward.

Tradução de Paulo Migliacci

DO “NEW YORK TIMES”, EM NOVA YORK

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