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Grécia votará redução de dívida até dia 13, diz ministro

Alex Grimm - 18.set.08/Reuters

O acordo sobre as modalidades da redução da dívida da Grécia pelos credores privados, que deverão aceitar perdas reais de mais de 70%, será submetido ao Parlamento até 13 de fevereiro, anunciou o ministro das Finanças e primeiro-ministro do país, Evangelos Venizelos.

Ao reiterar que a Grécia está a um passo de finalizar o acordo com os credores privados, Venizelos, que discursou na terça-feira à noite em uma comissão parlamentar, afirmou que o Parlamento “votará as condições de emissão de novos títulos”, que terá como objetivo reduzir em 100 bilhões de euros a dívida soberana do país.

“Isto acontecerá até 13 de fevereiro”, disse ministro, a respeito do prazo fixado pela Eurozona para o lançamento por parte da Grécia da oferta oficial da operação, destinada a reduzir a dívida grega a aproximadamente 120% do PIB, quando atualmente supera 160%.

PERDÃO

Venizelos indicou na terça (31) que o cancelamento da dívida em mãos privadas (€ 206 bilhões) pode superar a casa dos 70%, acima dos 50% inicialmente acordado na reunião de outubro passado.

“Há uma discussão séria baseada em novos fatos. Falamos de uma PSI (sigla para o plano de cancelamento da dívida) muito maior do que a original”, disse Venizelos e acrescentou que os investidores podem assumir “perdas superiores a 70% do valor ” de seus títulos.

Preliminarmente, em outubro foi acertado o perdão de € 100 bilhões, em torno de 50%, mas devido à deterioração da conjuntura grega, afundada em uma recessão, considera-se necessário um perdão ainda maior, para cumprir o objetivo de reduzir a dívida (atualmente superior a 160% do PIB) a 120% em 2020.

Dessa forma, o ministro grego assegurou que as negociações com o IIF (Instituto Internacional de Finanças), que representa os interesses dos credores privados, está a “um só passo [da conclusão]” e somente restam “formalidades” para finalizar o acordo.

CORTES

Em entrevista ao jornal grego “Kathimerini”, o membro da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) na Grécia, Poul Thomsen, considerou que a Grécia tem que reduzir mais seu déficit fiscal, mas advertiu que é preciso buscar um equilíbrio para não romper o limite de resistência da sociedade grega.

“Com toda a segurança a Grécia tem que reduzir mais seu déficit fiscal, mas a tolerância social e o apoio político têm seu limite e gostaríamos de conseguir o equilíbrio justo entre ajuste fiscal e reformas”.

Por essa razão, será necessário diminuir um pouco o ritmo do ajuste fiscal e agir mais rapidamente na aplicação de reformas para melhorar a situação da economia grega, aponta um dos principais responsáveis da negociação com as autoridades gregas.

Sobre os riscos de que a política de cortes e economia recomendada pelo FMI provoque uma recessão ainda maior, Thomsen reconheceu que está preocupado, mas afirmou que a “recessão, a redução de salários e o aumento do desemprego são inevitáveis” em um país com um elevado déficit fiscal e baixa competitividade.

Neste sentido, indica que é necessário realizar uma consolidação fiscal e reformas “dolorosas”.

“A Grécia ainda tem um enorme rombo em competitividade. Fechar esse rombo requer medidas em muitos frentes, não só nos salários, mas está claro que os salários são altos demais para a economia em geral, se comparados com a produtividade da Grécia”, argumenta Thomsen na entrevista.

REFORMAS

Em todo caso, o membro da missão do FMI aponta que ainda é cedo para decidir algo a respeito e que é preciso esperar para ver se as políticas de reformas têm algum êxito que permita evitar essa medida.

Caso contrário, “o governo deverá considerar uma intervenção mais direta por um período temporário, até que as reformas sejam efetivas”.

Para o analista do fundo, essas medidas poderiam afetar o salário mínimo e aos pagamentos extras e serviriam para diminuir o desemprego juvenil, atualmente em 40%.

Além disso, Thomsen reconhece que a eliminação ou fusão de empresas e órgãos públicos considerados desnecessários trará como consequência uma inevitável demissão de funcionários.

Com relação à possibilidade de que a Grécia deixe a zona do euro, Thomsen adverte que isso significaria um aumento dramático do desemprego e uma queda ainda maior dos salários.

DA FRANCE PRESSE, EM ATENAS

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