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Iraquiana morta em possível ‘crime de ódio’ nos EUA é enterrada no Iraque

Uma mulher de dupla cidadania iraquiana e americana, que foi espancada até a morte em sua casa nos Estados Unidos em um possível caso de crime de ódio, foi enterrada neste sábado (31) no Iraque, onde nasceu.

Parentes choravam quando o caixão de Shaima Alawadi, uma mãe de cinco filhos de trinta e dois anos de idade, foi levado para o cemitério Vale da Paz, na cidade sagrada xiita de Najaf, a 160 km ao sul da capital Bagdá.

Caixão de Shaima Alawadi é visto durante cerimônia em mesquita de Najaf neste sábado (31) (Foto: Reuters/Stringer)Caixão de Shaima Alawadi é visto durante cerimônia no santuário de Imam Ali, em Najaf, neste sábado (31) (Foto: Reuters/Stringer)

Alawadi foi encontrada inconsciente na sala de jantar de sua casa alugada na Califórnia por sua filha de 17 anos. Ela foi levada ao centro de trauma com diversos ferimentos na cabeça e morreu três dias depois, após serem retirados os aparelhos de suporte.

O assassinato está sendo investigado como um possível crime de ódio, por conta de uma nota de ameaça encontrada próxima a ela, segundo a polícia.

“A mártir (Alawadi) constumava amar tudo, ela não fazia distinção entre religiões”, disse o pai de Alawadi, Nabil.

“Seu marido me contou que alguém jogou a nota dizendo ‘volte para seu próprio país, você é uma terrorista’… Quem é o real terrorista, Shaima, ou eles?”, disse ele.

O caixão de Alawadi, envolto na bandeira do Iraque, voou para o Iraque neste sábado. Um comboio policial transportou o caixão para o santuário de Imam Ali, figura central do islamismo xiita, onde orações foram feitas a Alawadi, antes de ser enterrada.

Algumas pessoas de luto carregando bandeiras pediam por uma ação legal.

“Os motivos por trás do crime são raciais… Apelamos às instituições envolvidas do Iraque, como o Ministério de Direitos Humanos, as comissões parlamentares e ao Ministério de Relações Exteriores que acompanhem o crime e encontrem os criminosos”, disse o sobrinho de Alawadi, Haider Kadhim.

Ela vivia em El Cajón, subúrbio de San Diego, que, junto a áreas próximas, abriga entre 50 mil e 60 mil imigrantes e refugiados do Oriente Médio e seus descendentes.

Da Reuters

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