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Itaú vê risco de inadimplência atrasar redução nos juros

Maior banco brasileiro, o Itaú Unibanco mostrou hoje aumento preocupante da inadimplência de consumidores e de empresas no primeiro trimestre de 2012, como o Bradesco já tinha apontado na véspera, o que pode dificultar o movimento encampado pelo governo para redução das taxas de juros.

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Os pagamentos em atraso acima de 90 dias do consumidor pessoa física atingiram 6,7% dos empréstimos, mesmo patamar de março de 2010. Já os atrasos das empresas bateram en 3,7%, o maior nível desde dezembro de 2009.

Para Rogerio Calderón, vice-presidente do Itaú, a inadimplência deve continuar subindo nos próximos meses e só deve se estabilizar no final do ano. A leitura decorre da interpretação dos dados de atrasos de menor prazo (entre 15 e 90 dias), que funcionam como uma prévia dos índices de 90 dias.

No caso do consumidor pessoa física, os atrasos de menos de 90 dias saltaram de 6,9% para 7,9% do total de empréstimos de dezembro de 2011 para março deste ano. Para pessoa jurídica, esses atrasos seguiram em 2,3% na mesma comparação.

“Gostaríamos de poder reduzir mais as taxas, mas neste momento identificamos um cenário de inadimplência mais alto do que o desejado. Temos a preocupaçao de evitar o superendividamento”, disse.

Apesar do risco maior, o Itaú não pretende revisar suas previsões de expansão do crédito neste ano. A expectativa é que a carteira de empréstimos cresça entre 14% e 17%.

O banco também não vê redução nos ganhos com os empréstimos com o possível aumento da competição com os bancos públicos.

“Essa redução será compensada em volumes maiores no segundo semestre. Não deve ter efeito nas margens em função desse aumento”, disse.

RESULTADOS

O Itaú Unibanco informou hoje que teve lucro líquido de R$ 3,426 bilhões no primeiro trimestre, queda de 2,95% na comparação com o mesmo período de 2011 e retração de 6,93% ante o quarto trimestre do ano passado.

Já o lucro líquido recorrente (excluindo ganhos e perdas extraordinárias), atingiu R$ 3,544 bilhões entre janeiro e março, redução de 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 5,4% frente ao trimestre anterior.

A carteira de crédito, incluindo operações de avais e fianças, alcançou o saldo de R$ 400,519 bilhões em 31 de março, com acréscimo de 0,9% em relação ao saldo do quarto trimestre de 2011 e de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O Bradesco, primeira instituição a divulgar os resultados, anunciou ontem que registrou lucro líquido de R$ 2,793 bilhões no primeiro trimestre deste ano, alta de 3,4% em relação ao mesmo período de 2011.

A instituição também trabalha com inadimplência alta. Os pagamentos com atraso acima de 90 dias atingiram 4,1% do total de empréstimos –6,2% no caso do consumidor pessoa física. Só perdem para os 4,4% de inadimplência geral em março de 2010 e de 6,3% ao consumidor, visto em junho de 2010.

A carteira de crédito cresceu 14,6% nos três primeiros meses do ano e chegou a R$ 350,831 bilhões, puxada principalmente pelas operações voltadas às empresas, que cresceram 17,1%, mas o banco também viu a inadimplência aumentar.

Fonte: Da Folha.com

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