Willames Costa

Compromisso com a informação

Esporte

Juiz de Santos x Inter é acusado de estar irregular desde 2006

SPFW 2012Árbitro do jogo desta quarta-feira contra o Internacional, no Beira-Rio, pela Libertadores, Sandro Meira Ricci, 37, é alvo de reclamações santistas desde o início da semana por ter processado o atacante Neymar. Mas, há mais de dois meses, já convive com polêmicas extracampo.

Folhapress/Reuters
O árbitro Sandro Meira Ricci e Neymar
O árbitro Sandro Meira Ricci e o atacante Neymar

Ricci, que é mineiro, apitava pelo Distrito Federal até meados de março, quando foi para a federação de Pernambuco. Procurado nos últimos dois dias sobre a troca, o juiz manteve o telefone celular desligado e não respondeu aos e-mails da reportagem.

Seu advogado é o ex-árbitro Giuliano Bozzano, que o representou no caso Neymar e o defende de acusações vindas de Brasília (leia detalhes abaixo). Porém, afirmou não saber o motivo da mudança.

O presidente da entidade pernambucana, Evandro Carvalho, disse que aproveitou que Ricci estava “com problemas lá, de tempos de outrora”, sem entrar em detalhes, para fazer um “contrato muito interessante” e contar com o “melhor do Brasil”.

Mas o chefe da arbitragem brasiliense, Alexandre Andrade, fala que o juiz chegou a liderar um movimento grevista antes de sair, além de ter entrado de maneira irregular no quadro nacional, em 2006, por não cumprir exigência da CBF.

Pela determinação da Conaf (Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol), as federações só podiam indicar árbitros que tivessem sido escalados, por dois anos, em jogos profissionais de seus respectivos Estados. Ricci só teria atuado em um.

“Ele é protegido do Sérgio Correa [presidente da Conaf], porque é de conhecimento notório do Brasil inteiro que ele entrou irregularmente. Mas não só não aconteceu nada, como o Sérgio mudou a determinação, recentemente, e alterou para apenas um ano o periodo exigido, logo depois da divulgação da história”, declara Andrade.

Perguntada sobre o assunto, a CBF alega que o juiz foi eleito o melhor do Brasileiro-2010 pelos capitães e treinadores das equipes, além de jornalistas, mesmo antes de ser árbitro Fifa. E que o caso citado aconteceu no mandato de Edson Rezende, não de Sérgio Correa. E ele terminou arquivado pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva).

Sobre a greve, que durou duas semanas em fevereiro, Andrade diz: “Ele não aceitou a minha nomeação [em janeiro], porque tinha algumas regalias na gestão anterior, como não gostar de apitar jogos de campeonato local, e mandou e-mails para colegas do DF”.

Quem entrou na mobilização, inclusive, acabou retirado do quadro nacional. “Ele prejudicou vários colegas”. Sem clima, teria feito uma “costura política” para mudar de federação à revelia do Distrito Federal, ainda de acordo com Alexandre Andrade.

“Vamos questionar Pernambuco por que eles aceitaram recebê-lo, porque qualquer árbitro, quando vai para outra federação, leva uma carta de recomendação. E nós não liberamos ele. A gente molda ele todo aqui, investe em sua formação, para ele levar o escudo da Fifa para outro lugar?”, finaliza Andrade, que também trabalha como assessor parlamentar do deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA).

OUTRO LADO

Bozzano, advogado de Ricci, afirma já ter ouvido falar das acusações, mas nega ambas. “Pelo que me consta, não há nenhum tipo de problema com o Sandro. Pelo que eu saiba, está tudo dentro da legalidade, e esse tipo de denúncias, ao que me parece, são infundadas. Tanto, que não ensejaram nenhum tipo de problema”.

E minimiza a situação com Neymar, que precisou pagar R$ 15 mil ao árbitro por ofensas publicadas no Twitter, no final de 2010. “O clima na audiência foi super ameno”.

“Na minha opinião, são dois profissionais de alto nível. O Sandro é um árbitro bastante gabaritado e acredito que isso não vá interferir. Na última audiência, em Santos, quando o juiz sentenciou a indenização por danos morais, em novembro de 2011, estiveram Neymar, o pai dele, e ele não recorreu. Acatou, e o clima foi extremamente cordial”

Apesar da ida para o Nordeste, Sandro Meira Ricci continua morando na capital do país, onde é servidor público na carreira de analista em comércio exterior no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Atualmente, no entanto, encontra-se licenciado para finalizar a sua dissertação de mestrado, na UnB (Universidade de Brasília).

Fonte: Da Folha.com

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *