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Kofi Annan insiste em plano de paz e exige cessar-fogo na Síria

O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, insistiu nesta terça-feira na vigência de seu plano de paz e exigiu que o cessar-fogo previsto seja instaurado até a próxima quinta-feira (12).

Pelo acordo de paz, o regime sírio tem um prazo que começa hoje e vai até o dia 12 para recolher as suas tropas das cidades e cumprir um cessar-fogo. “Até as 0h do dia 12 de abril teremos que silenciar as armas”, afirmou o mediador em referência ao prazo previsto pelo plano, que, em princípio, também foi aceito pelas autoridades do regime de Damasco.

Bulent Kilic/France Presse
Enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, diz que ainda é cedo para dizer que plano de paz falhou
Enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, diz que ainda é cedo para dizer que plano de paz falhou

“É evidente que o plano de paz não foi aplicado segundo o programa previsto, mas isto não significa que o mesmo ainda não possa ser implementado”, afirmou Annan em entrevista coletiva no aeroporto de Hatay, ao sul da Turquia.

“É cedo demais para assegurar que o plano falhou”, completou o ex-secretário-geral das Nações Unidas em declarações aos jornalistas. Antes, Annan visitou um campo de refugiados de Yailadag, situado no extremo sul da Turquia.

“A chegada em massa de refugiados é um sinal claro que as coisas vão indo mal”, manifestou Annan. “Temos que seguir trabalhando para frear essa violência. A Síria deve permitir a chegada de ajuda humanitária”, acrescentou.

O vice-primeiro-ministro turco, Besir Atalay, que compartilhava a mesa com Annan, ressaltou seu apoio ao trabalho do mediador. “Hoje é dia 10 de abril e o prazo estipulado anteriormente já venceu. O regime sírio não cumpriu suas promessas”, disse Atalay, em referência ao compromisso de Damasco de retirar todas as tropas de cidades até esta terça-feira.

O vice-primeiro-ministro reiterou que a Turquia espera que Assad cumpra o compromisso até o dia 12 de abril. Mas, caso a Síria volte a não atender o compromisso, “será uma responsabilidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas tomar todas as medidas necessárias”, completou Atalay.

VIOLÊNCIA

Pelo menos 45 pessoas, entre elas quatro mulheres e três crianças, morreram nesta terça-feira na Síria pela repressão das forças do regime, segundo a rede opositora Comitês de Coordenação Local. As mortes ocorrem justamente no dia em que expira o prazo dado pela ONU para aplicação de seu plano de paz.

O grupo destacou que o maior número de vítimas foi registrado no bastião opositor de Homs, onde pelo menos 25 pessoas perderam a vida.

Nessa cidade, capital da província homônima, as forças governamentais bombardearam intensamente os bairros de Jalidiya, Qarabes, Yuret Shiah e Bayada, por onde passam voos de reconhecimento, indicaram os Comitês.

Também houve mortos nas províncias de Idleb (norte), Hama (centro), Deraa (sul), Dir Zur (leste) e na periferia de Damasco.

Os Comitês acrescentaram que no município de Marea, na província nortista de Aleppo, soldados de segurança e atiradores invadiram a cidade, saquearam e destruíram várias casas, além de prender um número indeterminado de moradores.

O regime de Bashar al Assad e os rebeldes do ELS (Exército Livre Sírio) trocaram acusações mútuas sobre o descumprimento do plano de paz. A iniciativa estipula o fim da violência por parte de todos os envolvidos, a retirada das forças armadas das cidades e o restabelecimento da autoridade do Estado em todo o território.

Além disso, prevê o início de um diálogo nacional entre o governo e os setores da oposição no país.

DA EFE, EM ISTAMBUL
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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