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Lindemberg chega a Fórum de Santo André para julgamento

Acusado de matar Eloá deixou prisão em Tremembé nesta manhã.
MP pede condenação de 100 anos; defesa diz que ele falará sobre o crime.

Lindemberg chega a Fórum acompanhado de carros da polícia (Foto: Kleber Tomaz/G1)Lindemberg chega a Fórum acompanhado de carros da polícia (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Lindemberg Alves, acusado da morte da adolescente Eloá Pimentel em 2008, chegou por volta das 8h10 desta segunda-feira (13) ao Fórum de Santo André, no ABC, onde será julgado. Lindemberg deixou a Penitenciária II de Tremembé, no interior de São Paulo, onde está preso,pouco antes das 6h30.

A advogada de Lindemberg disse que seu cliente falará pela primeira vez sobre o caso no julgamento. O acusado se manteve em silêncio em todas as vezes que foi chamado a prestar depoimento. No julgamento, ele também poderia ficar calado.

“Ele vai falar, ele vai dar a versão dele do que aconteceu”, afirmou Ana Lúcia Assad, que disse que novas provas podem mudar os rumos do processo. “Toda história tem no mínimo duas versões”, disse a advogada.

Ela afirma que juntou novas provas ao processo, mas não as revela. Questionada sobre se as provas mudam a versão sobre o caso, ela respondeu: “Digamos que parcialmente sim.” A advogada chegou ao fórum pouco depois de seu cliente, e não falou com os jornalistas.

O caso
Conforme denúncia do Ministério Público, movido por ciúmes da Eloá porque a ex não queria mais reatar o romance de três anos, o então auxiliar de produção Lindemberg, com 22 anos na época, invadiu armado o apartamento em que a estudante morava com os pais em Santo André no dia 13 de outubro de 2008. Lá, manteve Eloá e outros três colegas de escola dela como reféns – Nayara Rodrigues, Victor Campos e Iago Vieira.

Durante as negociações iniciais, diz o MP, Lindemberg atirou contra um sargento. Com a chegada do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM, que assumiu as conversas, os dois meninos forma libertados.

Lindemberg aguarda início do julgamento (Foto: Kleber Tomaz/G1)Lindemberg aguarda início do julgamento (Foto: Kleber Tomaz/G1)

Nayara também chegou a ser solta em troca do religamento de fornecimento de água e da energia elétrica do apartamento. Mas a adolescente, que estava com 15 anos na época, retornou ao imóvel dias depois por decisão da PM, que atendeu a exigência do sequestrador: ele havia combinado que só iria se entregar e libertar Eloá se Nayara fosse até a porta da residência para que eles saíssem todos juntos.

Isso, no entanto, não ocorreu: Lindemberg ordenou que Eloá puxasse Nayara para dentro do apartamento e voltou a manter as amigas como reféns. Entendendo que não havia mais avanço nas negociações para o fim do sequestro, o Gate decidiu invadir o apartamento no dia 17 de outubro de 2008. Na ação, policiais arrombaram a porta, mas demoraram para entrar porque ela estava bloqueada por um sofá.

Durante essa confusão, Lindemberg atirou em direção à cabeça de Eloá e de Nayara. Eloá foi atingida por dois disparos e teve morte cerebral no dia 18 de outubro. Alguns de seus órgãos foram doados. Nayara foi baleada no rosto, mas sobreviveu.

O julgamento
Lindemberg deixou, por volta das 6h20, o presídio de Tremembé 2, em direção ao Fórum de Santo André. O veículo em que ele estava foi escoltado por seis policiais que seguem em dois carros da Polícia Militar.

Pouco depois da chegada de Lindemberg, também chegaram ao fórum Iago, a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, e Nayara.

Ao todo, ele responde por doze crimes. Além da morte de Eloá, são duas tentativas de homicídio (contra Nayara e o sargento Atos Antonio Valeriano, que escapou do tiro); cárcere privado (de Eloá, Victor, Iago e duas vezes de Nayara) e disparo de arma de fogo (foram quatro) praticados entre os dias 13 e 17 de outubro de 2008 dentro do apartamento onde Eloá morava, no segundo andar de um bloco da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) no Jardim Santo André.

Segundo o Ministério Público, se Lindemberg for condenado por todos os crimes atribuídos a ele, a pena mínima poderá ser de 50 anos e a máxima de 100 anos de reclusão. Pela legislação do país, no entanto, ninguém pode ficar preso a mais de 30 anos.

O julgamento de Lindemberg deve durar três dias, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Ao todo, foram arroladas 19 testemunhas para prestarem depoimentos, que poderão ser gravados pela Justiça. Pela lei, as testemunhas que moram fora de Santo André não precisam comparecer. Mais de 180 pessoas deverão assistir ao júri na plateia, entre parentes do réu, familiares das vítimas, público interessado que adquiriu senhas, membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), estudantes de direito, magistrados do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e jornalistas (serão cerca de 50 profissionais).

A segurança em torno do fórum será reforçada pela PM para garantir a integridade física das pessoas que participarão do júri. Estão sendo aguardados eventuais protestos do lado de fora do prédio.

Depois será feito o interrogatório de Lindemberg. Sete jurados vão votar secretamente e decidir se o acusado é culpado ou inocente. Em seguida, a juíza Milena Dias, que presidirá o júri, contará os votos e dará a sentença de condenação ou absolvição do réu.

No presídio, que fica a cerca de 140 km da capital, Lindemberg trabalha para uma fábrica que produz peças para boxes de banheiro. Ele participa de grupos de oração e costuma ler bastante. Na madrugada, algumas pessoas já aguardavam na frente ao Fórum para assistir ao julgamento. Cerca de 170 senhas serão distribuídas para o público.

Arte: Julgamento Caso Eloá (Foto: Arte G1)

Com Do G1 SP

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