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Livro de memórias de Amanda Knox desencadeia guerra de lances


Guardian
Foi desencadeada uma guerra entre editoras americanas em torno do livro de memórias de Amanda Knox, e o livro está sendo avaliado em mais de US$ 1 milhão.

A americana de 24 anos, absolvida, após apelação, da acusação de ter assassinado em 2007 sua colega de quarto britânica Meredith Kercher, em Perugia (Itália), vem tendo encontros com editoras para discutir o livro, segundo o “New York Times”.

“Todo o mundo se apaixonou por ela”, disse uma das editoras ao jornal americano, segundo o qual, nas reuniões com as editoras, Knox passou a impressão de alguém “suave, inteligente, quase acadêmica, citando romances literários que achou comoventes” e falando de seu “sonho de longa data” de ser escritora.

Knox passou quatro anos em um presídio italiano, retornando a sua cidade de origem, Seattle, em outubro do ano passado, depois de ela e seu ex-namorado Raffaele Sollecito terem sido absolvidos do crime. Ela está sendo representada agora por Robert Barnett, o advogado americano que tem Barack Obama e Tony Blair em seu rol de clientes literários e que teria negociado para Bill Clinton um contrato no valor de US$12 milhões. As memórias de Knox, a serem baseadas no diário que ela escreveu na prisão, podem ser vendidas por “milhões” de dólares, segundo o “New York Times”.

“O livro encontrará ressonância muito grande”, disse um executivo que participa dos lances pelo título. “O mundo já ouviu todas as outras versões, mas não ouviu ainda a de Amanda Knox.”

Nem todos, contudo, estão convencidos de seus méritos: o livro foi descrito como “uma aposta enorme” por outra editora americana que não pretende disputar a obra. “Não é como se Knox tivesse sido exonerada de maneira clara e definitiva”, disse a empresa.

O livro de Knox também está sendo oferecido a editoras britânicas, que demonstraram nitidamente menos interesse que suas contrapartes americanas. Enquanto, nos EUA, o livro foi comparado à autobiografia de Jaycee Dugard “Vida Roubada”, sobre seu sequestro e cativeiro, editoras do Reino Unido observaram que o caso de Amanda Knox não é inequívoco como o de Dugard.

“Nos ofereceram o livro, mas não vamos nos envolver”, disse Alan Samson, diretor editorial da Weidenfeld Nicolson. “Para mim, há um desencontro cultural fascinante entre o que a maioria dos americanos pensa da história de Amanda Knox e o que pensam os britânicos. Para nós, o que se destaca na história é Meredith, a vítima; na América, eles consideram que a vítima é Amanda. Acho que é um tema de difícil tradução para um livro. Não é possível fugir do fato de que foi um crime especialmente obscuro e tenebroso, tendo uma vítima britânica em seu cerne.”

O publisher John Blake achou que o livro de Amanda Knox “será um livro muito interessante”, mas acrescentou que não conseguia imaginar que qualquer editora britânica pagasse US$1
milhão por ele. “A maioria dos britânicos, se você perguntar, dirá: ‘Amanda Knox tem muita sorte por não estar mais na prisão’. Enquanto isso, nos EUA ela é vista como alguém que recebeu tratamento injusto. Isto dito, seria um livro muito interessante e, se fosse oferecido ao preço correto, eu o aceitaria. Acho que as pessoas gostariam de tirar suas próprias conclusões.”

TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN

DO “GUARDIAN”

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