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Mais de 100 morrem na Síria a poucos dias do prazo limite da ONU

Mais de 100 pessoas morreram neste sábado (7) na Síria, onde o regime parece tentar acabar com a rebelião ao se aproximar a data de 10 de abril, fixada pela ONU para a retirada das tropas do governo.

Sírios carregam caixões durante protesto contra Bashar al-Assad, neste sábado, em Izmir. (Foto: Reuters)Sírios carregam caixões durante protesto contra Bashar al-Assad, neste sábado, em Izmir. (Foto: Reuters)

“Setenta e quatro civis morreram, 40 deles em bombardeios e disparos apenas na cidade de Latamna, na província de Hama”, informou em um comunicado o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

O Observatório completou que 17 soldados e 16 desertores morreram também em diferentes regiões.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou na sexta-feira em Nova York que os ataques do regime eram “uma violação da postura da ONU”.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou na quinta-feira por unanimidade uma declaração que pede ao regime sírio o respeito da data limite de 10 de abril para o fim das principais operações militares, ao mesmo tempo que demanda a oposição síria a fazer o mesmo no mais tardar nas 48 horas seguintes.

“As autoridades sírias são plenamente responsáveis pelas graves violações dos direitos humanos. Isto deve parar”, disse Ban Ki-moon.

“A promessa do presidente Assad de acabar com as operações militares até 10 de abril não pode servir de desculpa para continuar matando”, disse Martin Nesirky, porta-voz de Ban.

“Tais ações fragilizam a postura consensual do Conselho de Segurança definida no plano de paz estabelecido pelo emissário da ONU e Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan”, completou.

Ban Ki-moon se mostrou “extremamente preocupado” com a crise humanitária na Síria. O número de refugiados nos países vizinhos é cada vez maior.

Nas últimas 24 horas, 700 refugiados sírios entraram na Turquia, elevando a mais de 24 mil o número de pessoas procedentes da Síria que buscaram proteção no país.

A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que em março realizou com a ONU uma missão de avaliação humanitária na Síria, calculou a necessidade de uma ajuda humanitária de US$ 70 milhões.

A ONU anunciou em 29 de março que mais de um milhão de sírios precisavam de ajuda humanitária.

No campo de batalha, as Forças Armadas também bombardearam Zabadani, 47 km ao noroeste de Damasco.

Na província de Idleb (noroeste), perto da fronteira com a Turquia, os soldados enfrentaram desertores.

Em Homs, um jornalista de 17 anos, Anas al-Halwani, foi morto a tiros quando tentava retirar outro militante ferido, segundo os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que organizam os protestos contra Assad.

“Anas ficou seis horas deitado na calçada em consequência da presença dos franco-atiradores, antes que alguns jovens conseguissem retirá-lo. Morreu pouco depois”, afirma um comunicado dos LCC.

No centro de Damasco, milhares de pessoas se reuniram para celebrar o 65º aniversário de fundação do partido Baath, que governa a Síria.

Os manifestantes exibiam bandeiras da Síria e do Baath, assim como fotos do presidente Assad, com cantos patrióticas ao fundo.

“Deus, Síria, Bashar e basta”, “Shabbiha (milícias leais ao regime) a vida, por ti Assad”, gritava a multidão.

“Convocaram uma revolução e fizeram uma matança”, gritou uma jovem a respeito dos rebeldes sírios.

As festividades acontecem no momento em que a nova Constituição, aprovada em fevereiro por referendo com quase 90% dos votos, acaba com a supremacia do Baath, que governa a Síria há 50 anos.

A Síria é cenário desde março de 2011 uma revolta popular violentamente reprimida. Segundo o OSDH, mais de 10 mil pessoas morreram, em sua grande maioria civis.

Da France Presse

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