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Mais de 150 líderes mundiais iniciam histórica conferência sobre o clima

Príncipe Charles discursa durante a abertura da COP21 Foto: BERTRAND GUAY / AFP
Príncipe Charles discursa durante a abertura da COP21
Foto: BERTRAND GUAY / AFP

Mais de 150 líderes do planeta deram início nesta segunda-feira aos trabalhos na conferência climática de Paris, a COP21, com um apelo dramático para que consiga um acordo global contra a mudança climática, capaz de preservar a vida das gerações futuras no planeta.

“A COP21 é uma imensa esperança que não temos o direito de fraudar”, declarou o presidente François Hollande ao inaugurar o evento.

“Nunca o que esteve em jogo em uma reunião internacional foi tão importante”, disse, acrescentando que “se trata do futuro do planeta”.

O presidente da COP21, o chanceler francês Laurent Fabius, prometeu uma liderança “imparcial e respeitosa” das deliberações para alcançar um acordo mundial.

“O êxito está ao nosso alcance, mas não está conquistado de antemão”, advertiu Fabius.

Christiana Figueres, principal nome da ONU para a questão do clima, disse que “nunca uma responsabilidade tão grande esteve nas mãos de tão poucos”.

Os líderes reunidos também respeitaram um minuto de silêncio em homenagem às vítimas dos atentados jihadistas da capital francesa em 13 de novembro passado.

“Quero manifestar o reconhecimento do povo francês por todas as demonstrações de amizades recebidas”, afirmou Hollande ao recordar os piores ataques sofridos pela França em seu solo desde a II Guerra Mundial.

Em seu discurso ante o plenário do encontro, o presidente Barack Obama pediu aos negociadores do acordo contra a mudança climática que atuem agora, antes que seja tarde demais, e assegurou que não existe contradição entre crescimento econômico e proteção ambiental.

“Temos o poder de mudar o futuro aqui e agora, mas apenas se nos colocarmos à altura do acontecimento”, discursou  Obama ante representantes de 195 países reunidos para a COP21 em Le Bourget, norte de Paris.

Antes, em uma reunião paralela, com seu colega chinês, Obama afirmou que China e Estados Unidos, os dois maiores emissores de gás de efeito estufa do planeta, devem assumir suas respectivas responsabilidades na luta contra o aquecimento global.

“Como os maiores emissores de carbono, estamos determinados a que ambos temos a responsabilidade de tomar medidas”, declarou Obama depois da reunião mantida com Xi Jinping à margem da conferência climática COP21.

“Nossa liderança neste tema é vital”, acrescentou.

Coincidindo cm o dia da abertura da Conferência do Clima, a capital Pequim e outras grandes cidades do norte da China vivenciavam nesta segunda-feira uma poluição recorde este ano, com uma densidade de partículas perigosas superava em mais de 20 vezes o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os representantes dos 195 países que participam da COP21 devem anunciar, em 11 de novembro, a formalização de um acordo mundial para limitar o aquecimento global a 2°C em relação à era pré-industrial.

Paris paralisada

A cidade de Paris se encontra parcialmente paralisada em função do início da conferência, com os franceses respeitando, aparentemente, as recomendações de não utilizar carros e, na medida do possível, permanecer em suas casas.

Várias grandes avenidas estavam fechadas ao trânsito, em particular os acessos do norte que ligam a capital a Le Bourget.

Um trecho das rodovias permaneceu fechado ao trânsito, reservada aos veículos oficiais, assim como a autoestrada A1, que liga a capital a Le Bourget e ao aeroporto internacional de Roissy-Charles de Gaulle.

As autoridades solicitaram aos moradores da região de Paris que não utilizassem os automóveis e, na medida do possível, evitassem os deslocamentos, inclusive nos transportes públicos, gratuitos durante todo o dia.

Também pediram às empresas que liberassem os funcionários por um dia. Algumas permitiram o trabalho de casa.

No domingo, manifestações nos cinco continentes reuniram quase 600 mil pessoas para exigir um acordo contra o aquecimento global.

Os protestos ocorreram na Austrália, onde dezenas de milhares de pessoas foram às ruas, passando por Ásia, Europa e África, com o objetivo de exigir medidas que impeçam transformações irreversíveis como grandes secas ou a elevação do nível dos oceanos. Essas mudanças acontecerão, ao longo deste século, inevitavelmente, se não forem contidas as emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

Segundo as primeiras estimativas divulgadas por um dos organizadores, a ONG Avaaz, pelo menos 570 mil pessoas participaram das 2.300 marchas pelo clima ao redor do mundo neste fim de semana.

Em Madri, ao menos 10 mil pessoas participaram de uma passeata iniciada diante da prefeitura, na Praça Cibeles, que seguiu até a Porta do Sol. Entre as mensagens, podia-se ler “A Terra é sua casa” e “Me ajude e ajude a si mesmo”.

Em Londres, estrelas de Hollywood e do mundo da moda foram às ruas hoje junto com milhares de anônimos, para exigir compromissos contra o aquecimento global.

“Este clamor popular tem de ser ouvido. Essa cúpula histórica tem uma importância vital”, disse à AFP a atriz Emma Thompson.

Em Paris, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo para conter centenas de manifestantes, muitos deles mascarados, que jogaram sapatos, garrafas e até barreiras metálicas contra os agentes, em um protesto contra a proibição de se manifestar à margem da COP21.

Os manifestantes se reuniram perto da Praça da República, convocados por pequenos grupos “AntiCop21”, contrários à conferência do clima da ONU em Paris.

Segundo o ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, a polícia deteve 208 manifestantes, dos quais 174 estão em prisão provisória.

Da AFP

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