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Bahia

Mesmo após fim da greve, Força Nacional permanecerá para o Carnaval, diz governador da Bahia

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), afirmou, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), que a Força Nacional de Segurança Pública vai permanecer no Estado durante o Carnaval 2012, mesmo após o retorno dos policiais militares às atividades. Segundo Wagner, o efetivo que permanecerá será decidido durante uma reunião entre integrantes federais e o comando da Polícia Militar.

Bahia vive onda de saques e assassinatos com greve de policiais

Foto 99 de 103 – 10.fev.2012 – Ainda que o comandante da PM de Salvador tenha anunciado fim da greve, patrulha dos soldados do Exército nas ruas da capital baiana não foi interrompida na tarde desta sexta-feira (10) Mais Raul Golinelli/Futura Press

“A Força Nacional, já falei com o ministro da Justiça [José Eduardo Cardoso], vai ser mantida com um contingente pouca coisa menor, porque aqui tem um contingente de bombeiros, e entendemos que não é necessário. O efetivo será definido em reunião do general Gonçalves Dias com o comando da PM. O ministro Celso Amorim já me ligou hoje pela manhã para saber qual o contingente que acharíamos ideal por uma questão preventiva e para complementar o trabalho da PM”, disse Wagner, garantindo que o Carnaval 2012 será marcado pela tranquilidade.

Entenda a greve da Polícia Militar na Bahia

  • Raul Spinass�/Ag�ncia A Tarde

    Grevistas deixam a Assembleia Legislativa

A greve parcial dos policiais militares na Bahia foi deflagrada no dia 31 de janeiro. Dias depois, o movimento foi considerado ilegal. Doze mandados de prisão foram expedidos contra policiais militares que lideram o movimento. Todos são acusados de formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (carros da corporação). Além dos crimes, os policiais devem passar por um processo administrativo.

No dia 9 de fevereiro, os agentes que estavam amotinados durante dez dias na Assembleia Legislativa, em Salvador, desocuparam o prédio. Na noite do dia 11, o fim da greve foi decretado.

Segundo o governador, a vinda do reforço da Força Nacional e do Exército foi fundamental para garantir a segurança no Estado nos 12 dias de paralisação dos policiais –desde o dia 31 de janeiro–, que levou pânico à população. “Foi fundamental. Claro que ela traz o lado negativo, que é dizer que a Bahia estava num processo difícil, mas que era realidade. Mas com as forças nós conseguimos impor uma ordem a uma metodologia de intimidação à população. Uma coisa é reivindicar salários. Outra é colocar a população deitada com medo de armas. Foi isso que a gente viu aqui”, disse.

Vídeos sobre a paralisação da PM na Bahia – 25 vídeos

Salvador tem sábado tranquilo com fim da greve da PM

Os policiais militares da Bahia encerraram a greve, iniciada no dia 31 de janeiro.

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O governador ainda comentou a forma de manifestação dos grevistas e disse que reajuste salarial não era a questão principal. “A ideia era levar a greve para o Rio, São Paulo e depois a Brasília. Essa formatação, depois da revelação das escutas, ficou claro que transcendem a questão salarial. Quero direcionar aqui a todos os membros da PM, para dizer que reflitam sofre o ocorrido, sobre o que afetou a imagem da Bahia, que é de paz”, assegurou.

Um dia após o fim da greve decretado pelos policiais militares, a Grande Salvador teve um dia mais calmo neste domingo (12). Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, a capital registrou quatro assassinatos. Durante a greve, encerrada em assembleia na noite do sábado (11), a média de mortes era de 16 crimes por dia.

O boletim de crimes aponta que três dos quatro assassinatos foram registrados em Salvador. Entre os mortos está um adolescente de 17 anos, assassinado em frente à Igreja Universal do bairro da Palestina. O outro assassinato aconteceu em Camaçari, na região metropolitana da capital. Um dos crimes, embora praticado no domingo, consta no sistema como confirmada às 00h18 desta segunda. Além das mortes, foram registrados também pela polícia 11 tentativas de homicídio, cinco roubos a coletivos e 21 assaltos ou furtos a veículos.

A greve dos policiais militares na Bahia deixou um saldo de 177 assassinatos na região metropolitana de Salvador durante o período da paralisação. Levantamento feito pelo UOLnas estatísticas oficiais divulgadas pelo governo estadual mostra que o número de homicídios registrados no período é 156% superior ao mesmo período anterior. Entre 18 de janeiro (quarta-feira) e 28 de janeiro (sábado), foram 69 homicídios na região metropolitana.

O governador disse que os números registrados durante o período de greve surpreendeu. “Claro que não só surpreendeu, mas também chocou. Há uma tristeza, pois a sociedade baiana não merecia passar por isso. A Polícia Militar tem que dar segurança, e não abandonar a população para que se tenha esse números. É claro que, para mim, é muito ruim e chocante. Foi consequência da queda de policiamento, quando a marginalidade, se sentido mais à vontade, acabou havendo esse número, podendo até ter havido a participação alguns [policiais], mas não quero acusar, pois não tem elemento.”

Também nesta segunda-feira, as escolas particulares retomaram as atividades, que deveriam ter sido iniciadas na segunda-feira da semana passada. A rede estadual, que não suspendeu as aulas, mas viu as salas esvaziadas pelo medo da população, fez um apelo para que os alunos retornem às unidades. Já a rede municipal de Salvador informou que as aulas, que deveriam ter começado na terça-feira passada, só serão retomadas no dia 27.

Com http://www.uol.com.br

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