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Militares e tio dividirão poder com líder norte-coreano, diz agência

O novo líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, terá de dividir o poder com um tio e com os militares, o que significa que o regime comunista terá um comando coletivo depois da morte de Kim Jong-il, segundo uma fonte que mantém estreitas ligações com os governos da Coreia do Norte e da China, citada pela agência de notícias Reuters.

A fonte não foi identificada, mas a agência afirma que ela já deu informações corretas em importantes eventos anteriores, como que a Coreia do Norte testaria sua primeira arma nuclear em 2006, fato comprovado posteriormente.

Kim Jong-un sucederá a seu pai como parte de uma dinastia familiar comunista que dirige a Coreia do Norte desde a fundação do país, na década de 1940. Kim morreu no sábado (17), mas sua morte só foi anunciada na segunda-feira.

A fonte que falou à Reuters qualificou de “muito improvável” a hipótese de um golpe militar. “Os militares juraram obediência a Kim Jong-un”, acrescentou.

Segundo ela, a liderança coletiva incluirá Jang Song-thaek, 65, cunhado de Kim Jong-il e tio de Kim Jong-un. Em 2009, Jang foi nomeado para a Comissão Nacional de Defesa, um órgão de alto escalão que Kim Jong-il dirigia na qualidade de comandante do militarizado Estado norte-coreano.

KRT via Reuters TV/Reuters – 20.dez.2011
Imagem mostra Kim Jong-un durante o velório do pai, o ex-ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, na terça-feira
Imagem mostra Kim Jong-un durante o velório do pai, o ex-ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-il, na terça-feira

Na segunda-feira, logo antes do anúncio da morte de Kim, a Coreia do Norte testou um míssil de curto alcance, o que segundo a fonte foi feito como um alerta aos EUA.

“A Coreia (do Norte) quis passar a mensagem de que tem a capacidade de se proteger sozinha”, disse a fonte. “Mas dificilmente a Coreia conduzirá um teste nuclear no futuro próximo, exceto se provocada.”

O programa nuclear norte-coreano é um persistente motivo de tensões na comunidade internacional. O país testou um artefato militar em 2006 e 2009, e abandonou negociações com EUA, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul, as quais eram parte de um processo que visava à concessão de benefícios políticos e econômicos em troca do desarmamento.

A China, principal aliada da Coreia do Norte, convidou na terça-feira o novo líder norte-coreano a fazer uma visita. O presidente Hu Jintao e seu vice, Xi Jinping, prestaram condolências na embaixada norte-coreana em Pequim, cujo acesso ficou fechado.

Pequim pressiona a Coreia do Norte a abrir mão das armas nucleares, e a fonte disse que o país aceitaria isso, sob a condição de que seja assinado um armistício envolvendo EUA, China e as duas Coreias, para substituir o precário cessar-fogo que encerrou a Guerra da Coreia (1950-53).

A Coreia do Norte, acrescentou a fonte, também está convencida de que há armas nucleares norte-americanas na Coreia do Sul, e exige sua retirada.

DA REUTERS, EM PEQUIM

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