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Militarização obriga Farc a adiar libertação de reféns na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram que vão adiar por tempo indeterminado a libertação de seis policiais e militares em função das ações militares na zona de entrega, segundo um comunicado divulgado nesta quarta-feira.

“A área que havíamos escolhido para a libertação dos prisioneiros de guerra foi militarizada injustificadamente pelo governo da Colômbia, o que nos faz adiar sua concretização”, afirma o texto, que foi publicado na página do grupo armado na internet.

“Queremos libertá-los vivos, mas parece que o governo prefere entregá-los em caixões a seus familiares”, assinala ainda o comunicado, ressaltando, no entanto, que a determinação unilateral do grupo de libertar os reféns, comunicada em dezembro, continua de pé.

A nota é dirigida a um grupo de personalidades, dentre as quais a Prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchú e as escritoras Elena Poniatowska e Isabel Allende. Outra citada é a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, que recebeu a proposta de libertação do grupo armado.

Os reféns são um militar e cinco policiais que estão há mais de doze anos no cativeiro.

“Tão logo amaine a insanidade que se apoderou do Palácio do Nariño (sede da Presidência da Colômbia), faremos uma nova tentativa para que vocês possam receber os que serão libertados”, acrescenta o texto.

MILITARIZAÇÃO

As Farc afirmam que “militares patriotas alertaram sobre as intenções do governo (do presidente Juan Manuel) Santos de procurar a todo custo um resgate militar, sem se importar que pudesse acabar num resultado fúnebre, como o de 26 de novembro”, em referência à morte de quatro reféns dessa guerrilha, assassinados pelos sequestradores em meio a um combate com as forças do governo.

Apesar de as Farc assegurarem que houve uma tentativa de resgate militar, as autoridades garantiram que em 26 de novembro ocorreu um confronto sem que se houvesse previsto entrar em combate.

A morte dos quatro reféns provocou manifestações em massa de rejeição às Farc na Colômbia.

As Farc também criticaram a negativa do governo colombiano de que um terceiro país empreste helicópteros e suas tripulações para a operação de libertação.

No passado, o Brasil colaborou logisticamente nas libertações de reféns das Farc, que desde 2008 já libertaram 20 pessoas sem impor condições.

O grupo, fundado em 1964, mantém atualmente em cativeiro pelo menos onze militares e policiais, a maioria deles há mais de uma década, os quais pretende trocar por seus guerrilheiros presos.

DA FRANCE PRESSE, EM BOGOTÁ

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