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Ministro nega irregularidades e diz que acusações são para atacar PSB

O ministro Fernando Bezerra (Integração Nacional) disse nesta quinta-feira (12) que as denúncias de irregularidades em sua gestão e as acusações de nepotismo têm o objetivo de “atacar” o PSB.

“O que se quer nessa campanha é atacar não só minha imagem, mas do meu partido. Sei relevar os ataques, sei aceitar as críticas, isso faz parte da democracia, mas é preciso também não atacar e não denegrir a imagem das pessoas.”

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E completou: “Tenho paixão pelo que faço e, às vezes, você se depara com adversários que tentam atacar sua honra e sua honestidade”.

Em um discurso de mais de meia hora, o ministro se esforçou para dividir a responsabilidade sobre a distribuição dos recursos de prevenção de desastres com outros ministérios e com o Palácio do Planalto.

Marcelo Camargo/Folhapress
Fernando Bezerra Coelho dá explicações à comissão representativa do Congresso
Ministro Fernando Bezerra dá explicações à comissão representativa do Congresso

Apresentando números globais, ele tentou negar que tenha privilegiado Pernambuco, seu reduto eleitoral. Sobre as acusações de nepotismo na Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Paraíba), que teve seu irmão na direção da empresa interinamente por quase um ano, disse que pessoalmente nunca fez indicações.

Ele fez questão de ressaltar que, em 30 anos de vida pública, não há nenhuma condenação contra ele em qualquer instância do Judiciário. O ministro disse ainda que não deixou um questionamento sem resposta.

Após a fala inicial para a comissão representativa do Congresso, o ministro foi aplaudido. Mesmo com recesso parlamentar, a base governista acompanha em peso as explicações. Disposto a evitar um desgaste com o PSB, partido de Bezerra, o Planalto orientou os governistas a blindarem o ministro.

RECURSOS

Segundo Bezerra, o sistema de prevenção de enchentes teve em 2011 R$ 2,2 bilhões empenhados (promessa de pagamento), sendo que 56% foi para o Sudeste, 24% para Nordeste, 11% para Sul, 5% para o Norte e 4% para Centro-Oeste.

Na divisão estadual, São Paulo recebeu 26%, Rio de Janeiro 18%, Minas Gerais 11% e Pernambuco 9%.

O ministro admitiu que dos recursos pagos por sua pasta 90% foram para Pernambuco, cerca de R$ 98 milhões –sendo que isso representa 45% do empenhado.

Ao se defender de que teria privilegiado o filho, deputado Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), na liberação de emendas, ele sustentou que 54 deputados tiveram 100% dos valores empenhados.

Conforme revelou a Folha sábado, o filho do ministro, Fernando Coelho (PSB-PE), foi o deputado federal que teve o maior volume de recursos de emendas liberados em 2011 pela pasta do pai, superando 219 colegas.

Os R$ 9,1 milhões foram destinados à Codevasf, comandada pelo irmão do ministro até ontem. Dinheiro de emenda do deputado de 2010 foi parar em redutos eleitorais em Petrolina, onde ele é pré-candidato à prefeitura.

ESTRUTURA

O ministro também apontou a falta de estrutura da pasta, com corpo técnico defasado, como um dos entraves para uma melhor divisão dos recursos.

“Ao longo de 2011, o ministério recebeu 3.000 propostas de prevenção. Nós temos um corpo de 18 técnicos para avaliar essas propostas.”

Ele afirmou ainda que a destinação dos recursos para Pernambuco seguiram critérios técnicos. “Quero afirmar que a decisão foi tomada em avaliação técnica de forma correta e adequada para poder remediar uma situação que causou prejuízos milionários.”

Bezerra fez elogios à presidente Dilma Rousseff. Disse que ela faz reestruturação do setor elétrico do país e que ela é uma gestora eficiente.

Com a Folha.com

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