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Nem é transferido para Bangu; Cabral quer traficante fora do Rio

O traficante apontado como chefe do tráfico de drogas na favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, conhecido como Nem, está sendo transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. A polícia transfere o traficante para a penitenciária em um veículo blindado da Polícia Militar conhecido como caveirão.

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Marcelo Sayão/Efe
Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, é transferido por policiais até o presídio de Bangu
Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, é transferido por policiais até o presídio de Bangu; veja galeria

Outros traficantes estão sendo transferidos para Bangu nesta mesma operação com Nem.

Mais cedo o governador do Rio, Sergio Cabral (PMDB), disse que vai pedir ao Ministério da Justiça a transferência do traficante para um presídio federal de segurança máxima.

Em entrevista à radio CBN, Cabral disse que a Secretaria da Segurança Pública prepara a documentação para transferir ele e outros traficantes para fora do Estado.

“Vão todos para fora do Rio, nós já estamos preparando a papelada hoje. Estamos mandando para presídios de segurança máxima. A Secretaria de Segurança Pública está neste momento preparando a documentação para o envio mais breve possível desses marginais já presos para fora do Rio de Janeiro, para presídios de segurança máxima”.

Ainda não há confirmação se o pedido foi aceito, nem quando e para onde ele poderá ser transferido.

Nem permaneceu nesta manhã na sede da Polícia Federal do Rio, na zona portuária. Ele foi preso em uma operação do Batalhão de Choque da PM na madrugada de hoje.

Ele estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado pela polícia na altura do clube Piraquê, na Lagoa, a poucos quilômetros da favela, após informações de inteligência terem apontado que o traficante, um dos mais procurados do Rio, estava no carro.

CÔNSUL

Segundo a polícia, o motorista do veículo se identificou como cônsul do Congo e alegou imunidade diplomática para não permitir que o carro fosse revistado. Diante dessa afirmação, os policiais do Batalhão de Choque decidiram escoltá-lo até a Polícia Federal.

No trajeto, o motorista teria oferecido suborno aos PMs, que lhe deram voz de prisão. Segundo um policial que participou da operação, a oferta de suborno chegou a R$ 1 milhão. A identidade do motorista ainda não foi divulgada.

Nem foi preso poucas horas depois de a Polícia Federal ter detido o seu braço-direito, conhecido como Coelho, e outros quatro traficantes, juntamente com três policiais civis e dois ex-policiais militares que faziam a sua escolta.

A PF diz que intensificou operações de inteligência ao saber que a Rocinha seria ocupada, e que recebeu informação de que haveria fugas.

Os policiais detidos entraram na favela em quatro veículos e deixaram o morro pela saída da rua Marquês de São Vicente, na Gávea.

Os policiais e os traficantes estavam armados, mas não houve troca de tiros. Alguns dos bandidos viajavam nos porta-malas dos carros.

Editoria de Arte/Folhapress

Além das prisões, a PF apreendeu cinco granadas, 11 pistolas, três fuzis, carregadores, munição e uma quantidade não especificada de dinheiro em reais e euros.

As fugas foram motivadas pelo plano do governo do Estado de ocupar a favela nos próximos dias, no primeiro passo para a instalação de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), a 19ª da cidade.

A Rocinha é uma das maiores favelas do Rio e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão Sérgio Cabral (PMDB).

CHEFE DO TRÁFICO

Segundo investigação da Polícia Civil, por causa da iminente ocupação policial, o traficante Nem havia decretado desde a semana passada um toque de recolher para comerciantes e moradores. O traficante também teria limitado a circulação de motociclistas.

Apontado como um dos líderes da facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos), o traficante Nem controla a Rocinha desde novembro de 2005 e possui nove mandados de prisão contra ele.

Uma investigação da Polícia Civil confirmou que Nem recebeu atendimento médico na manhã de segunda-feira (7) na UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) da Rocinha.

Na ocasião, o traficante teria ido à UPA acompanhado de seguranças armados com fuzis. A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pela unidade, não confirma o atendimento ao criminoso, mas também não nega o fato.

Uma das informações recebidas pela Polícia Civil é de que Nem teria procurado atendimento porque teria tido uma convulsão após misturar álcool com ecstasy durante uma festa realizada na Rocinha entre a noite de domingo (6) e a madrugada de segunda-feira.

Com a Folha.com

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