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Número de mortos durante trégua passa de 5 nesta terça-feira na Síria

Observadores da ONU reconheceram nesta terça-feira (17) que terão uma tarefa árdua para estabelecer um cessar-fogo na Síria, enquanto cinco civis foram mortos por causa da violência no sexto dia de uma frágil trégua.

O coronel Ahmed Himmiche, marroquino que chefia a equipe avançada de seis membros que prepara a mobilização de uma missão de 30 pessoas, disse que os observadores vão dar um passo de cada vez.

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que os Estados Unidos ainda estavam “esperando pelo melhor”, mas estavam discutindo com outras potências o que fazer caso o plano de paz fracasse.

Seu homólogo russo, Sergei Lavrov, acusou a oposição – 11 das 35 pessoas mortas na violência na segunda-feira eram soldados – e pediu a seus aliados estrangeiros que façam pressão sobre os rebeldes para que honrem a trégua duramente conquistada.

O chefe da ONU, Ban Ki-Moon, pediu às forças do regime que tenham “máxima moderação” e à oposição que “coopere totalmente.”

Três dos cinco mortos nesta terça-feira foram atingidos no bombardeio do regime em Idleb, uma província do noroeste próxima à fronteira com a Turquia, onde há uma forte presença de combatentes rebeldes, disse o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Imagem divulgada pela oposição mostra tropas sírias em posto de controle em Deraa nesta terça-feira (17) (Foto: Reuters)Imagem divulgada pela oposição mostra tropas sírias em posto de controle em Deraa nesta terça-feira (17) (Foto: Reuters)

O ataque matou outras duas pessoas e feriu dezenas em Basr al-Harir, na província de Deraa, ao sul, berço de uma revolta de 13 meses contra o regime do presidente Bashar al-Assad, segundo a organização com sede britânica.

Os distritos rebeldes de Khaldiyeh e Bayyada na cidade central de Homs também foram alvos de novos bombardeios, acrescentou o OSDH.

O Conselho Nacional Sírio acusou o regime de “flagrantes violações do cessar-fogo” e pediu a observadores da ONU para “viajar para Idleb e Homs imediatamente para ver os massacres em primeira mão que o regime estava realizando e não parou.”

O enviado da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, que intermediou o plano de paz, viaja ao Qatar para um encontro ministerial da Liga Árabe sobre a crise nesta terça-feira à noite, disse seu porta-voz.

O Coronel Himmiche disse que esta “é uma difícil missão que precisa de coordenação e planejamento.”

“Nem cessar-fogo, nem mesmo o começo de um processo político – esta missão será uma das mais difíceis já empreendidas pelas Nações Unidas,” acrescentou.

Clinton pediu que Damasco honre o plano de Annan inteiramente, não apenas o prometido cessar-fogo.

“O que o regime de Assad precisa fazer é deixar claro o que eles estão fazendo para silenciar suas armas, retirar suas tropas e trabalhar rumo ao plano de seis pontos,” disse ela.

Concordando que o plano também permite manifestações pacíficas, libertando prisioneiros políticos e permitindo que o começo de uma transição política pacífica, acrescentou Clinton.

“Queremos ver o início do processo político, mas se a violência recomeçar, o regime voltar a bombardear seu próprio povo e deixar muitos mortos e feridos, então vamos ter que voltar a planejar nossos próximos passos.”

O ministro das Relações Exteriores, Alain Juppé, disse que “sanções mais duras” contra Damasco devem ser adotadas para “pressionar o regime sírio” e destruir seus recursos.

Moscou, aliado de Damasco criticou, sem citar nomes, os aliados dos rebeldes, como o Qatar e Arábia Saudita, e reconheceu que a trégua é frágil.

“Há países – há forças externas – que não estão interessados no sucesso dos esforços atuais do Conselho de Segurança da ONU,” disse Lavrov.

Mas em uma clara referência a Moscou, um grupo de 50 países que apoiam sanções contra o regime de Assad nesta terça-feira expressou sua “forte reprovação a qualquer apoio financeiro ou de outro tipo, em particular à continuação das vendas de armas para o regime sírio.”

A Rússia, que votou a favor do texto, depois de ter vetado duas resoluções, será “substancialmente” representada na missão da ONU, disse o vice-ministro das Relações Exteriores, Sergei Ryabkov.

“As especificidades de nossa participação na missão observadora estão sendo trabalhadas no momento,” disse a Interfax citando Ryabkov.

A equipe avançada de observadores militares chegou a Damasco no domingo à noite, e os Comitês Locais de Coordenação disseram que os “carros levando os observadores chegaram à Deraa acompanhados de veículos do Exército.”

Um surto de violência forçou a Liga Árabe a por fim a sua própria missão de monitoramento naSíria no final de janeiro, apenas um mês depois de tê-la enviado.

O chefe da ONU expressou preocupação na noite de segunda-feira.

“Estou muito preocupado com o que aconteceu ontem e hoje,” disse Ban.

“É importante, absolutamente importante, que o governo sírio tome todas as medidas para manter esta suspensão da violência,” disse ele, acrescentando que Damasco deve “garantir” livre acesso em todo o país para os observadores militares.

Ativistas anti-regime aconselharam os compatriotas a “falar a verdade, que é o que significa a liberdade” quando encontrarem os observadores da ONU.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Mouallem, visitará a China na quarta-feira, anunciou Pequim, para mostrar os esforços feitos por Damasco para respeitar o cessar-fogo da ONU.

Da AFP

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