Willames Costa

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O erro da UNIVASF é o ENEM

O governo federal tinha o vício de somente construir universidades nas capitais brasileiras. Haja vista que Pernambuco, anos atrás, só tinha duas instituições de nível superior que eram a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Rural de Pernambuco. O sertão clamava muito pelo ensino superior e eu adotei essa bandeira. Acreditei que os esforços deveriam ser endossados para que o sertão tivesse a sua própria universidade.

A ideia inicial era trazer campus da Universidade Rural de Pernambuco ou da Universidade Federal de Pernambuco para Petrolina. Mas a dificuldade imposta pelas faculdades foi enorme que a alternativa foi buscar apoio de outras formas. Um dos aliados para a concretização dessa ideia foi o saudoso ex-Ministro Paulo Renato.

Esgotamos a hipótese de construirmos os campus e partimos então para a ideia da edificação de uma universidade no sertão. Em uma das minhas visitas a Califórnia, nos Estados Unidos, o reitor da Universidade de Fresno me disse uma frase que nunca esqueci: “Não é o aluno que tem que ir atrás da escola, mas a escola que tem que ir atrás do aluno”. Essa frase se tornou o pontapé do projeto para trazer o ensino superior para o semiárido.

Imediatamente procurei o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e expus o que o reitor da universidade tinha me dito. Nessa conversa surgiu o projeto inicial da construção da Universidade Federal do Vale do São Francisco. Anos depois a UNIVASF foi implantada e bem estruturada. No entanto, há quatro anos o ENEM foi implantado na UNIVASF e a universidade que era para ser a favor do Vale do São Francisco passou a ser a favor do Brasil.

A princípio, a instituição contemplava os estudantes da região que ingressavam a partir dos seus conhecimentos. No curso de Medicina, por exemplo, eram disponibilizadas 60 vagas e todas elas eram preenchidas pelos alunos sertanejos. Com o ENEM apenas cerca de 20 vagas são preenchidas pelos estudantes do Vale e as outras vagas são para alunos do Rio Grande do Sul, Fortaleza, Salvador, etc. Nós passamos a ajudar o Brasil, mas é o Semiárido que precisa de ajuda do Brasil.

Algumas universidades federais como a de Pernambuco e Minas Gerais não aceitaram o ENEM. Então, é errado a UNIVASF aceitar o ENEM. Faltou uma ação política vigorosa para defender os jovens sertanejos.

Eu tenho conhecimento e contato com jovens do Vale que ingressaram em instituições de nível superior em outros estados brasileiros e não tem condições financeiras para se sustentarem nesses locais. Isso é errado. A UNIVASF deixou de ajudar os estudantes sertanejos. Se nós não tivéssemos o ENEM nós formaríamos em torno de 60 médicos por ano no Vale.

As manifestações contra o ENEM no Vale do São Francisco ainda não fizeram efeito, mas elas tem que fazer. Nós construímos uma universidade para o sertão e não para o Brasil. Nós não temos potência para ajudar o Brasil. Nós temos a necessidade que o Brasil nos ajude. Essa bandeira está na hora de ser honrada e principalmente agora no período de eleição para presidente da república. O meu candidato vai está ciente desse problema. Nós temos que identificar a origem das nossas falhas e lutar para que os erros sejam corrigidos.

Por Osvaldo Coelho

Ex-deputado federal por oito legislaturas (DEM)

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