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Oposição síria quer visita de observadores da Liga Árabe a Homs

O grupo opositor CNS (Conselho Nacional Sírio), que reúne boa parte da oposição ao regime, pediu para a Liga Árabe enviar imediatamente seus observadores à região sitiada de Homs e outras áreas onde as forças leais do ditador Bashar Assad têm realizado ações violentas para reprimir protestos.

“Desde esta manhã, o bairro de Baba Amr [em Homs] está sob um cerco e sofre ameaças de invasão militar por cerca de 4.000 soldados,” afirmou o grupo em um comunicado. “Isso se soma ao bombardeio incessante que já dura dias na região”.

A cidade central de Homs tem sido um dos principais focos de repressão do regime de Assad em nove meses de manifestações contra o ditador no poder, e cenário de violentos confrontos entre o Exército e soldados desertores.

Ontem, testemunhas afirmaram que as forças de segurança do regime voltaram a atacar a região, deixando ao menos 18 mortos. O bairro de Bab Amr foi um dos mais atingidos, de acordo com testemunhas citadas pela emissora de TV Al Jazeera, com sede no Qatar.

Os relatos de ativistas apontam que Homs tem sido alvo de tiros, bombardeios e ataques de tanques há três dias. Segundo o grupo opositor CCL (Comitês de Coordenação Local), aviões militares também sobrevoavam a cidade.

LIGA ÁRABE

Uma equipe da Liga Árabe chegou na quinta-feira (22) à Síria para preparar o envio de monitores que irão avaliar se o governo local está cumprindo um plano de paz definido no mês passado. O plano prevê a retirada das Forças Armadas das ruas, a libertação de presos políticos e um diálogo com a oposição.

Reuters
Delegação com observadores da Liga Árabe visitam local em que um carro-bomba explodiu em Damasco
Delegação com observadores da Liga Árabe visitam local em que um carro-bomba explodiu em Damasco

O regime havia assinado no Cairo o acordo da Liga Árabe que previa a entrada de observadores internacionais na Síria, como parte do esforço internacional para pôr fim à repressão aos protestos populares que, desde meados de março, pedem a saída de Assad do poder.

O CNS acusa o regime de ter transferido “milhares de presos a guarnições militares fortificadas” onde os observadores da Liga Árabe não têm acesso. Segundo o conselho, o objetivo das autoridades é esconder dos observadores “qualquer rastro que provem os assassinatos, os atos de tortura e as valas comuns”.

As emendas exigidas pela Síria, e aprovadas pela organização pan-árabe, ao protocolo que enquadra a missão de observadores estipulam que estes últimos estão autorizados a visitar os centros de detenção, os hospitais, as delegacias, mas não as guarnições militares por razões de “soberania nacional”.

REPRESSÃO

No início da semana, Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução que condena os direitos humanos na Síria, onde a repressão do regime a protestos populares deixaram mais de 5.000 mortos, segundo estimativas da própria ONU.

Apesar da estimativa, o regime se defende dizendo que está combatendo grupos armados terroristas apoiados por interesses estrangeiros. Segundo as autoridades sírias, cerca de 2.000 membros das forças de segurança já morreram nas ações contra o terrorismo no país.

Ontem, milhares de sírios foram às ruas de Damasco prestar homenagem às 44 pessoas mortas no duplo ataque com carro-bomba que atingiu dois prédios do governo na capital na sexta-feira (23). Em luto, a multidão carregava imagens das vítimas e bandeiras da Síria.

O regime acusou os manifestantes que tentam derrubar o regime de Assad e a rede terrorista Al Qaeda pela ação. Foram os primeiras ataques suicidas desde o início da revolta popular contra o ditador, que tem sido um movimento pacífico. A oposição, por sua vez, disse que as próprias autoridades sírias eram responsáveis pelos ataques.

O Conselho de Segurança da ONU condenou fortemente o duplo e mandou suas condolências para as vítimas e seus familiares –ignorando o regime em seu comunicado, como de prática.

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