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Pais de ‘Riquelmes’, jogadores brasileiros se dividem na torcida da final

SPFW 2012Não foram apenas corintianos felizes com o sucesso do astro do Boca Juniors na decisão da Libertadores de 2000 e na semifinal de 2001, ambas sobre o rival Palmeiras, como o lavador de carros Rodrigo Guimarães, 26, morador de Sorocaba (SP), que batizaram o filho em homenagem ao famoso meia argentino –Rodrigo, não bastasse, tatuou “Juan Riquelme” nas costas. E, nesta quarta-feira, finalíssima do torneio continental, teme “uma ironia do destino”.

Jogadores de futebol brasileiros fizeram o mesmo, ainda que apenas por apreciarem o nome ou o futebol do atleta, que completou 34 anos no domingo retrasado e buscará no Pacaembu a quarta Libertadores da carreira.

Autor do gol do título brasileiro do Flamengo em 2009, o zagueiro Ronaldo Angelim, 36, diz que o seu segundo herdeiro virou Riquelme por dois motivos.

“Primeiro, porque ele é um ótimo jogador, que eu já acompanhava há muito tempo. Depois, porque minha esposa se chama Ricássia, então é parecido, e acabou sendo uma homenagem”, diz.

Para completar, a escolha repetiu “estratégia” já usada na família. O irmão mais velho de Riquelme Angelim, 6, também tem nome de craque: Ronald de Boer, 11, é xará do ex-volante da seleção holandesa entre 1993 e 2003, e gêmeo do ex-lateral Frank de Boer.

Porém, apesar da simpatia em relação ao argentino, o hoje defensor do Barueri na Série B nacional afirma preferir que o troféu fique em São Paulo.

“Olha, todo mundo sabe que sou Flamengo, mas Emerson [atacante alvinegro], o ‘Sheik’, é meu amigo particular, então vou torcer para o Corinthians”.

Só que ele avisa: “Agora, já não sei o meu filho [risos]. Com certeza, gente da família vai torcer para o Riquelme”.

Antonio Lacerda/Efe
Ronaldo Angelim (dir.) comemora o gol da vitória do Flamengo, que valeu o título do Campeonato Brasileiro de 2009
Ronaldo Angelim (dir.) comemora o gol da vitória do Flamengo, que valeu o título do Campeonato Brasileiro de 2009

SÍNDROME DE ESTOCOLMO

De férias após mais uma temporada no Porto, onde se sagrou campeão português pela sexta vez, o goleiro Hélton, 34, titular da seleção na Olimpíada de 2000 e reserva na Copa América de 2007, não quis falar com a Folha. Mas ele é pai de Hélton Riquelme, nascido somente cinco meses depois de o seu Vasco ser eliminado da Libertadores-2001 exatamente pelo Boca do camisa 10.

Teria sido vítima de uma espécie de “síndrome de Estocolmo”, que faz o refém se afeiçoar pelo sequestrador? Em entrevistas antigas, o goleiro já atribuiu a responsabilidade do nome à ex-mulher Kellen.

“Não foi uma homenagem programada a Riquelme, mas pode funcionar como uma homenagem a ele, sim”, acrescentou.

NORDESTINOS

Menos conhecidos do grande público, dois atacantes em atividade no Nordeste também batizaram seus filhos adotando o destaque boquense como referência.

Renna, 33, atualmente disputa a Série D pelo Itabaiana-SE e esteve perto de uma Libertadores em 2005, quando pertencia ao Atlético-PR, vice diante do São Paulo na época. Contudo, terminou negociado para o Náutico.

É pai de Riquelme Valverde Fagundes, 10. Como se fosse pouco, ainda inspirou o amigo Jodival, “que não liga muito pra bola”, a chamar o primogênito de Juan Riquelme.

A justificativa: “Ele [o jogador] estava muito bem no cenário mundial, e achei um nome bonito. Tinham outros, mas achei que combinava comigo, que sou Reinaldo”.

Torcedor do Bahia, mas apoiando o Corinthians esta noite por “representar o país”, Renna garante que haverá uma nova geração de ‘Riquelmes’ aconteça o que acontecer no Pacaembu.

“Rapaz, acredito que, independente de ganhar ou perder amanhã [hoje], muitas pessoas vão adotar. Esses atletas da atualidade estão sempre servindo de exemplo, com certeza. Meu pai, mesmo, se baseou no centroavante do Atlético-MG [ídolo nos anos 1970] em relação a mim”.

Finalmente, o cearense Riquelme Castro Cavalcante, 7, é filho de Moré, camisa 9 do Guarani de Juazeiro do Norte (CE). No time da terra do líder religioso Padre Cícero, anotou 13 gols pelo Estadual-2012.

Moré, 31, no momento se recupera de uma cirurgia no tendão patelar do joelho. E, ainda de muletas, promete torcer pela sétima taça de Libertadores do Boca Juniors.

“Eu via aqueles Boca x Palmeiras lá atrás e só se falava em Riquelme. O nome entrou em minha cabeça”, justifica.

Miguel Vidal – 29.jan.12/Reuters
Helton, goleiro do Porto
Helton, goleiro do Porto

Fonte: folha.uol.com.br

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