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Papa Francisco será um 'Papa da vizinhança', diz Argentina

Papa Francisco será um “papa da vizinhança”, pelo menos é assim que ele está sendo chamado em Flores, o bairro de classe média de Buenos Aires no qual Jorge Mario Bergoglio nasceu há 76 anos e onde destacam a “humildade” do novo pontífice.

“Esta casa está benta. Fico emocionada em pensar que ele nasceu e viveu aqui”, disse à Agência EFE Marta Romano, há 35 anos proprietária da casa onde nasceu o novo líder da Igreja Católica.

Marta e seu marido, Arturo, abrem as portas do seu lar, uma casa com 80 metros quadrados, singela, de gente trabalhadora, agora reformada e de dois andares, mas que tinha apenas um quando Francisco I era criança.

Atrás há um pátio, onde estão uma churrasqueira, um limoeiro e uma árvore de pomelo, e que seguramente foi testemunha das brincadeiras infantis do papa.

O quintal da casa onde Jorge Mario Bergoglio nasceu é visto no bairro de Flores, em Buenos Aires, Argentina. Segundo o proprietário da casa atual, que se identificou como Arturo, o quintal é a única parte do imóvel que permaneceu o mesmo desde Bergoglio viveu lá (Foto: AP Photo / Ivan Fernandez)
O quintal da casa onde Jorge Mario Bergoglio nasceu é visto no bairro de Flores, em Buenos Aires, Argentina. Segundo o proprietário da casa atual, que se identificou como Arturo, o quintal é a única parte do imóvel que permaneceu o mesmo desde Bergoglio viveu lá (Foto: AP Photo / Ivan Fernandez)

A poucos metros dali vive Osvaldo Dapueto, de 68 anos, um de seus amigos de infância e cujo pai, dentista, atendia ali mesmo os Bergoglio.

Segundo ele, era uma família com quatro filhos, ‘muito humilde e trabalhadora’, como a maioria dos moradores de Flores, um bairro da zona centro-oeste da capital argentina onde ainda se conserva essa mística cotidiana da boa vizinhança.

Mario, pai de Francisco, trabalhou como empregado ferroviário e depois como operário de uma indústria têxtil. Sua mãe, Regina, era dona de casa. O pontífice teve três irmãos, que já não vivem em Flores.

“Éramos muito bons vizinhos. Era um menino muito estudioso. Às vezes, passava algum tempo conosco, mas se dedicou sempre a estudar muito”, lembra Osvaldo.

Na esquina oposta há uma praça pequena. Ali, diz Osvaldo, jogou futebol com o papa. Esclarece, no entanto, que Francisco I não era um bom jogador.

Neste bairro, como na maioria das localidades de Buenos Aires, o futebol faz parte da vida cotidiana. O novo papa é torcedor do San Lorenzo, clube, curiosamente, fundado por um sacerdote. O estádio do Ciclone, como o clube também é chamado, fica, precisamente, em Flores.

Por sorte da Igreja, Jorge Mario Bergoglio se inclinou pelos estudos e não pela bola, pela disciplina jesuíta e não pelas correrias das crianças nas ruas.

“Não se chega a papa sendo rebelde. Mas é um papa de bairro, o papa de Flores”, orgulha-se Osvaldo, que seguiu em contato com o amigo de infância e o descreve como “um homem de uma lucidez extraordinária e de uma capacidade incrível, com um altíssimo voo intelectual”.

Na outra esquina, Marta, que também o conhece desde a infância, também se recorda que o pequeno Jorge “não era de ficar tanto na rua brincando”, como os outros meninos do bairro, “mas era bem mais estudioso”.

De acordo com Rafael, marido de Marta, o novo papa é simples, mas, em poucas palavras, diz muito: “É uma boa pessoa”.

Cruzando a rua está a igreja Santa Francisca Javiera Cabrini, uma pequena paróquia que nesta quarta-feira se regozijou com o “habemus papam”.

Dentro, as pessoas cantavam. Apareceram cartazes com as cores papais, com o nome de Bergoglio e fotos de Francisco I em uma das tantas missas que celebrou ali.

“Ele veio à minha festa de 15 anos. É um ser maravilhoso e humilde. Um papa maravilhoso”, disse uma paroquiana que não quis ser identificada.

Na agenda do até agora cardeal primaz da Argentina há um compromisso que ele já não poderá cumprir: Francisco celebraria uma missa para as Filhas de Nossa Senhora da Misericórdia no colégio onde cursou o jardim de infância e fez a primeira comunhão.

“Quando morreu a irmã Dolores, a professora que o tinha preparado para a primeira comunhão, passou toda a noite ajoelhado em oração na capela, ao lado dela. É um santo este homem!”, assegurou a irmã Marta, sem conseguir esconder sua alegria.

As irmãs da comunidade contam que Bergoglio costumava pegar o ônibus no centro da cidade para ir visitá-las e que depois de tomar chá com elas ele mesmo lavava a sua xícara.

“É simples. Sempre vem de ônibus. Ele sempre foi assim, uma pessoa muito singela”, testemunha a irmã Teresa, que já se prepara para contar às crianças do colégio nesta quinta-feira (14) que o novo papa brincou e rezou onde eles fazem o mesmo todos os dias.

Praça Herminia Brumana, onde Bergoglio costumava brincar quando era criança (Foto: Bernardino Avila/Reuters)
Praça Herminia Brumana, onde Bergoglio costumava brincar quando era criança (Foto: Bernardino Avila/Reuters)
 

Da EFE

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