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Plebiscito expõe diferenças culturais entre regiões do Pará

Na reta final da campanha para o plebiscito sobre a divisão do Pará, a frente contrária à separação do Estado intensificou as acusações de que os separatistas são forasteiros que querem ficar com as riquezas locais.

O acirramento da disputa expõe uma espécie de “questão étnica” no Pará, devido às diferenças das populações de cada região.

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O ponto alto da discussão ocorreu ontem, durante debate entre representantes das frentes realizado pela rádio Liberal/CBN. O plebiscito sobre a divisão do Pará em mais dois Estados –Carajás e Tapajós– ocorrerá domingo.

Líder antidivisão, o deputado federal Zenaldo Coutinho (PSDB), de Belém, referiu-se diversas vezes à representante da frente do Carajás, deputada estadual Bernadete Ten Caten (PT), como “a deputada gaúcha”.

“Vocês trazem um marqueteiro da Bahia [Duda Mendonça], seu projeto vem do Tocantins [cuja criação serviu de inspiração para os separatistas] e a maioria de vocês vem de fora”, disse.

Adriano Vizoni/Folhapress
Separatistas em crise nao conseguem mobilizar a cidade de Santarém.Plebiscito acontece no domingo
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A deputada se irritou. “Isso se chama xenofobia e discriminação”, respondeu.

Anteontem, o governador Simão Jatene (PSDB), da grande Belém, criticou os “vendedores de ilusões sem identidade com o Pará”.

Na capital, a Folha presenciou gestos de hostilidade contra separatistas. Durante carreata, foram recebidos aos gritos de “voltem para Goiás” e “voltem para Marabá”.

No Carajás, só cerca de 20% dos habitantes são do Pará, segundo os divisionistas. A maioria vem de Maranhão, Minas, Rio Grande do Sul, Tocantins e São Paulo.

Historicamente, a população paraense pouco explorou o interior do Estado, abrindo espaço para os migrantes.

O resultado foi uma população de origem, sotaque e costumes diferentes, com mais ligação com o agronegócio do que com as tradições culturais da capital.

Um dos líderes pró-Carajás, deputado Giovanni Queiroz (PDT), é mineiro e possui fazendas avaliadas em R$ 8 milhões no Pará.

No Tapajós, a distância fez com que os habitantes se identificassem mais com Manaus do que de Belém.

“Por mês, saem de Santarém 56 barcos para Manaus e oito para Belém”, diz o professor universitário Edivaldo Bernardo, líder pró-Tapajós.

Com a Folha.com

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