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Polícia britânica protegeu filho de Gaddafi contra conspiração de assassinato

 

Guardian

A polícia britânica ofereceu proteção no Reino Unido a um dos filhos do coronel Gaddafi, em 2004, depois de virem à tona informações sobre uma aparente conspiração para seu assassinato, descobriu o “Guardian”.

Policiais da divisão especial da Scotland Yard conversaram com Saif al-Islam Gaddafi e lhe garantiram que estavam sendo tomadas medidas para garantir sua segurança. Além disso, Saif foi colocado no registro mantido pela polícia de pessoas “em risco”.

Os detalhes sobre a ameaça ao filho de 38 anos de Gaddafi, e os esforços da Scotland Yard e do MI5 para cuidar dele, estão contidos em documentos encontrados em Trípoli desde a queda do velho regime.

Na época da conspiração, no início de 2004, Saif Gaddafi estava vivendo em Londres. O Reino Unido e os Estados Unidos estavam se esforçando para assegurar que nada atrapalhasse o retorno da Líbia à comunidade internacional.

Agora, como seu pai, Saif está foragido na Líbia, sendo caçado pelo Conselho Nacional de Transição e procurado pelo Tribunal Penal Internacional, acusado de crimes contra a humanidade, assassinato e tortura. Ele vem atuando em muitos momentos como o rosto desafiador das forças ainda leais a seu pai.

No passado hóspede do príncipe Andrew no palácio de Buckingham, ele teve amizades com políticos britânicos destacados. O ex-primeiro-ministro Tony Blair chegou a lhe oferecer ajuda com seu Ph.D. na London School of Economics.

Em meio às centenas de documentos abandonados quando Trípoli caiu nas mãos de forças rebeldes estavam dois relacionados a Saif al-Islam Gaddafi. Embora seja impossível confirmar a legitimidade dos arquivos, governos e serviços de inteligência ocidentais não fizeram qualquer tentativa de contestar sua autenticidade.

Um memorando datado de janeiro de 2004 e endereçado a Sadeq Krima, chefe do departamento de relações internacionais da Líbia, é intitulado “Ameaça a Saif al-Islam Gaddafi”. É possível que tenha sido redigido pela CIA.

O documento diz: “Estamos no processo de rastrear os nomes contidos no relatório que nos foi passado relativo à ameaça … e responderemos quando o rastreamento for completado. No processo de rastrear os nomes contidos no relatório … observamos que o atentado pode acontecer no Reino Unido ou na França.”

Um segundo documento, enviado duas semanas mais tarde, acrescenta: “Nem nós, nem o serviço de segurança britânico temos qualquer rastro dos indivíduos citados. O relatório foi transmitido para a divisão especial da Polícia Metropolitana (a Scotland Yard), e Saif al-Islam foi colocado no registro dela de pessoas ‘em risco’.”

“A polícia o visitou para discutir a ameaça com ele, e ele parece estar satisfeito com as medidas que estão sendo tomadas.”

A carta também pede ajuda aos líbios para identificar os responsáveis pela conspiração.

“Esses indivíduos estão ligados a algum grupo extremista em especial? Por que escolheram Saif al-Islam como seu alvo? Tratam-se de cidadãos líbios? Onde estão vivendo no momento? Que forma assumirão os ataques?”

Não está claro que “medidas” foram oferecidas a Gaddafi, mas a divisão especial é a unidade de elite da Scotland Yard que é responsável pela proteção da família real e outros dignitários estrangeiros.

No início desta semana veio à tona que os documentos encontrados em Trípoli continham detalhes sobre como dois dissidentes líbios foram levados de volta a seu país, contra a vontade deles. Um dos que retornou à Líbia foi Abdul Hakim Balhaj, comandante rebelde que agora está no comando da segurança em Trípoli.

Balhaj vem dizendo que foi torturado quando estava sob custódia e vem exigindo um pedido de desculpas dos governos britânico e americano por sua cumplicidade na transferência forçada dele.

Balhaj foi um membro destacado do Grupo Líbio de Combate Islâmico (GLCI), como também o foi Abu Munthir, outro dissidente que foi extraditado de volta a Trípoli. Documentos encontrados na semana passada sugerem que Munthir fosse procurado pelos americanos e britânicos devido a suas supostas ligações com a Al Qaeda.

Os líbios forneceram documentos segundo os quais Munthir teria tido uma relação “íntima” com Osama bin Laden –documentos que podem ter sido fornecidos para servir de provas adicionais para justificar sua extradição de Hong Kong para Trípoli.

A Líbia alegou que Munthir se mudou com Bin Laden para o Sudão e viajou para o Reino Unido em meados dos anos 1990. Outros documentos mostram que as agências de inteligência britânicas e americanas estavam desesperadas para conseguir qualquer informação sobre membros sobre o GLCI, grupo que, na época, temiam que tivesse vínculos com extremistas islâmicos.

Em um conjunto de documentos, a CIA pediu aos líbios que fizessem 59 perguntas separadas a um membro do GLCI que já estava detido no país.

A Líbia também forneceu as informações de que dispunha sobre 130 dissidentes, 115 dos quais acusou de serem integrantes do GLCI. De acordo com os documentos, 59 dessas pessoas estariam vivendo no Reino Unido. As informações sobre elas foram colocadas no site na internet da Força-Tarefa Restrita/de Fusão da Interpol.

A Scotland Yard se recusou a dar declarações sobre a ameaça a Gaddafi.

Tradução de Clara Allain

DO “GUARDIAN”

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