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Polícia do Rio prende suspeito de chefiar segurança de Nem

A polícia prendeu um homem suspeito de ser o chefe da segurança do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem –que era o chefe do tráfico na Rocinha e foi preso na noite da última quarta-feira.

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Nesta sexta, a polícia realiza uma operação na favela Vila Vintém, na zona oeste, para coibir a fuga de traficantes da Rocinha para essas comunidades, diante da iminente ocupação da favela da zona sul.

Além do suspeito preso, pelo menos outros nove homens foram presos desde a madrugada na favela.

A Vila Vintém é apontada agora como o principal reduto da ADA (Amigo dos Amigos), facção criminosa que vinha comandando o tráfico de drogas na Rocinha nos últimos anos.

Na operação, comandada pelo 14 Batalhão da PM (Bangu), outro homem, que segundo a polícia, seria traficante, foi morto.

Foram apreendidos ainda três fuzis –dois modelos FAL, de uso exclusivo do Exército, e um AR-15.

A Seap (Secretaria de Estado de Administração Penitenciária) do Rio divulgou na noite desta quinta-feira (10) a foto do traficante preso Nem, apontado como chefe do tráfico na Rocinha. Ele está preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio. Com uniforme e cabelo raspado, Nem terá que usar uniforme, segundo a Seap.

Divulgação
Nem tem cabeça raspada em seu primeiro dia na cadeia
Nem tem cabeça raspada em seu primeiro dia na cadeia

UPP

O governo do Rio deve instalar neste fim de semana uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na favela da Rocinha (zona sul). A medida acontece após a prisão, na madrugada desta quinta-feira, do traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, apontado como chefe do tráfico na favela.

A UPP da Rocinha será a 19ª do Rio. A favela é uma das maiores do Rio, e sua pacificação é considerada chave para a política de segurança da gestão de Sérgio Cabral (PMDB).

PRISÃO

O traficante Nem estava no porta-malas de um Toyota Corolla, que foi parado pela polícia a poucos quilômetros da favela. Segundo os policiais que participaram da prisão, eles suspeitaram do veículo porque a suspensão estava baixa –indicando alguma carga no porta-malas.

Nem portava cerca de R$ 180 mil no momento em que foi preso. O dinheiro estava dividido em notas de real (59.900) e de euro (50.500 ou R$ 120 mil).

Segundo a polícia, o veículo foi parado pela primeira vez por volta das 23h na estrada da Gávea, uma das saídas da Rocinha. Estavam no carro dois advogados e um motorista, que se identificou como cônsul honorário da República Democrática do Congo.

Ele alegou imunidade diplomática, não permitiu que o carro fosse revistado e disse que, como autoridade, deveria ser atendido na 15ª DP (Gávea). Diante dessa afirmação, veículos da PM passaram a escoltar o Corolla até a delegacia.

Quando passavam pela Lagoa, na altura do Cinépolis Lagoon, o veículo parou e, segundo os policiais, os suspeitos ofereceram R$ 20 mil como propina. O comboio seguiu em frente e, na altura do Clube Naval, fez uma nova parada.

“Um dos advogados se identificou como pai do cônsul e foi ele quem ofereceu R$ 20 mil. Ele disse que na mala tinha R$ 1 milhão e [perguntou] se aquilo resolvia tudo”, disse o tenente Ronald Cadar, que estava no grupo.

Após nova recusa dos policiais, o suposto cônsul disse que só abriria o porta-malas do carro na Polícia Federal. A PF foi acionada e os agentes que foram ao local abriram o porta-malas e encontraram o traficante Nem. Todos foram presos e levados à sede da PF na zona portuária do Rio.

A PF diz que entrou com contato com o Ministério das Relações Exteriores para verificar a identidade do suposto cônsul. A Embaixada do Congo em Brasília disse desconhecer qualquer relação entre o homem e o traficante, mas que ainda que aguarda dados da PF para se manifestar oficialmente.

Com a Folha.com

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