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Esporte Pernambuco

Preparo físico não é o ideal, admite fisiologista do Náutico

Souza foi um dos jogadores nitidamente cansados no segundo tempo
Foto: Guga Matos/JC imagem

O mau condicionamento físico dos jogadores do Náutico foi apontado pelo técnico Alexandre Gallo como um problema na partida contra o Sport. Essa condição seria um reflexo de um trabalho de preparação física insatisfatório antes de o técnico aos Aflitos, quando quem comandava a atividade era Carlos Bona. Faltaria força e resistência aos jogadores. O treinador afirmou que tinha dados da comissão técnica permanente do clube que comprovavam isso. Chegou a citar o nome do fisiologista Cléber Queiroga e do preparador Ricardinho Seguins, que já estavam no clube; teria ouvido deles essas informações. O Blog do Torcedor conversou com Queiroga sobre o assunto.

Queiroga admitiu que a preparação física dos jogadores não está num ponto satisfatório, mas apontou que isso foi o resultado de uma pré-temporada muito curta, várias lesões que aconteceram e também a necessidade de acelerar o retorno de jogadores machucados aos jogos, quando eles precisariam de mais dias para retomar a força e a resistência que diminui quando algum atleta fica dez ou mais dias sem jogar.

Confira entrevista com Cléber Queiroga:

Blog do Torcedor — Gallo declarou que os jogadores do Náutico não estão bem condicionados e que teve de fazer substituições apenas pela questão física. Como você explica isso?

Cléber Queiroga — É uma questão bem abrangente. Hoje, a gente gostaria que o time estivesse melhor nessa condição física. Gallo tem certa razão no que ele falou. Ele é um treinador que tem uma cobrança muito grande nesse aspecto. Ele acreditava que, quando a gente chega na reta final, a gente tem que chegar com o melhor da condição. Agora por que não tá na melhor condição? Lógico que tem vários aspectos. A gente tem jogadores que chegaram por último e têm uma condição baixa. O objetivo era chegar todo mundo com essa mesma condição. A gente procurou reunir com a comissão técnica para poder solucionar os problemas específicos. Os problemas de lesão também atrapalharam muito nessa questão. Quando o jogador passa 15 a 20 dias no DM, ele perde um pouco de força e resistência. Pela necessidade nossa em duas competições, Copa do Brasil e Campeonato Pernambucano, e ainda uma situação indefinida com relação à classificação, a gente tinha que acelerar a recuperação e o condicionamento desses atletas, e ao mesmo tempo não ficar fora dos jogos.

Blog — Sobre a questão da força dos atletas?

Cléber — Gallo prioriza muito a questão da força, tem essa linha de trabalho. Waldemar trabalha muito no campo mesmo, em si. O atleta também condiciona no trabalho com bola. Os trabalhos que Bona faziam era mais na areia, já Gallo tem uma concepção diferente de trabalho de força, bruto mesmo, com musculação. A questão é que alguns atletas fizeram um bom trabalho e outros não.

Blog — Então seria culpa dos atletas o mau condicionamento?

Cléber — Não, a gente não considera culpa dos atletas. É difícil. O X da questão é que a gente não chegou à condição ideal. Em nenhum momento a imprensa comentou que o Náutico estava mal fisicamente, mas que estava esfacelado por muita mudança. A imprensa nunca enxergou que tá mal fisicamente, porque não estamos. Mas a gente poderia chegar melhor a essa fase.

Blog — Quais trabalhos deveriam ter sido feitos para que o condicionamento do grupo ficasse ótimo e homogêneo?

Cléber — O direcionamento de trabalho não foi feito como gostaríamos que fosse. Identificamos quais atletas precisavam de trabalho de força, quais de resistência, quais velocidade de reação, mas o trabalhar dessas necessidades não foi como a gente queria. Também por conta do número de jogadores lesionados. Tiuí passou no DM, Jefferson também, o João Ananias também passou tempos em jogar, Souza…

Blog — Houve algum erro de planejamento da preparação física?

Cléber — Não teve um erro de planejamento. Se eu digo que houve um erro de planejamento, eu estou sendo antiético com o preparador físico que estava aqui. Por conta desses problemas que eu citei, o trabalho não teve a qualidade que poderia ter.

Blog — Está havendo alguma mudança agora que Gallo assumiu como técnico?

Cléber — Ricardo Seguins foi efetivado como primeiro preparador físico. Gallo conhece ele da passagem em 2010 e gostou muito da linha de trabalho, que se assemelha na questão de focar muito na força física. Gallo já quis já levar Seguins para outros clubes depois que saiu do Náutico, o Avaí e um time da Arábia. A gente vai querer homogeneizar o grupo e entrar forte na Série A.

Blog — Dá para melhorar a condição nesse semana para o jogo na Ilha do Retiro?

Cléber — A gente não tem agora a condição de dar uma carga de trabalho grande numa semana pré-clássico, e sendo clássico decisivo. Hoje a gente está de folga, uma folga prevista, porque os atletas precisam de recuperação, os atletas jogaram ontem e quem não jogou fez um circuito de força hoje. Amanhã temos treino em dois períodos e pegada forte.

Fonte: Do Blog do Torcedor

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