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Pernambuco

Presídio do Recife tem primeiros casamentos homoafetivos do Brasil

A Colônia Penal Feminina do Recife, no bairro do Engenho do Meio, Zona Oeste da capital pernambucana, viveu uma noite de festa na última quarta-feira (25). Catorze casais participaram de uma cerimônia coletiva de casamento; desses, seis eram compostos apenas por mulheres. Com a festa, foi a primeira vez que uma união estável, entre pessoas do mesmo sexo, aconteceu dentro de um presídio no Brasil.

Vestidos com roupas de gala, todos os noivos puderam convidar duas pessoas para a cerimônia, que teve direito a bolo, bênção ecumênica e batuque de maracatu. Faltando só um dia, Prisicila Teixeira quase desistiu do casamento, por conta do nervosismo de última hora. “Um dia antes estava desistindo, ia jogar o noivo de cima da cama, não queria mais me casar, fazer a unha. Mas isso é o estresse”, contou.

Cerimônia reuniu 14 casais na Colônia Penal Feminina do Recife (Foto: Divulgação)Cerimônia reuniu 14 casais na Colônia Penal Feminina do Recife (Foto: Divulgação)

Casar também sempre foi o sonho de Fabiane de Andrade. Aos 25 anos, realizou o antigo desejo, e agora só vai faltar a vida em família. “Vou pegar meus filhos, o esposo, trabalhar e tocar a vida pra frente”, disse. De acordo com Allana Couto, diretora da Colônia Penal Feminina do Recife, todas as noivas, durante a semana, terão direito a uma lua de mel.

Casamento na Colônia Penal Feminina do Recife (Foto: Divulgação)
Detentas vestiram roupas de gala para a cerimônia
(Foto: Divulgação)

Segundo a secretária de Direitos Humanos do Recife, Amparo Araújo, com a cerimônia, está sendo construído um novo modelo de cidadania. “Foi a primeira vez que foi realizada uma união de pessoas do mesmo sexo. Os secretários de Ressocialização sempre fazem reuniões e nunca se teve notícia de algo do tipo”, contou. A secretária disse ainda que, até o final do ano, deve ser realizada pelo menos outra cerimônia, desta vez em alguma unidade prisional masculina.

Entre outros benefícios, com a união estável, os casais vão poder adotar filhos e ter direito à herança. “Eles terão todos direitos de um relacionamento, de separação, separação dos bens”, disse o tabelião Carlos Roma. Depois de fechar o contrato, a detenta Kátia Silene Silva Sales não escondia a alegria de se casar com sua companheira. “Não queria isso aqui, queria lá fora. Mas como não tivemos outra oportunidade…”, contou.

Após a troca de alianças, foi oferecido um coquetel para as detentas e convidados. A certeza é de que a vida dessas pessoas estariam modificadas. “É a concretização de que as pessoas que estão dentro de uma penitenciária perderam só o direito à liberdade, mas não à vida, ao amor e nem à felicidade”, concluiu Amparo Araújo.

Fonte: Do G1 PE

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