Willames Costa

Compromisso com a informação

Goiás

Presos algemados a argolas na parede são transferidos em GO

A Polícia Civil de Goiás informou na manhã desta quinta-feira que transferiu provisoriamente 27 presos que estavam no 1º Distrito Policial de Anápolis para o presídio da cidade. Por isso não há mais, pelo menos por enquanto, detentos algemados a argolas chumbadas na parede no corredor da unidade.

Superlotada, delegacia de GO algema presos a argolas na parede

A decisão de transferir os presos foi tomada após reunião no fim da noite de ontem entre representantes da 4ª Vara Criminal de Anápolis e o delegado regional Luiz Teixeira.

Segundo o delegado regional, permaneceram no 1º DP apenas quatro detentos, que antes estavam no corredor ou em salas da delegacia. Eles agora estão na única cela da unidade.

Dentre os transferidos, estão todos os que estavam na cela superlotada da unidade, em salas improvisadas e um grupo que estava provisoriamente em outra unidade da Polícia Civil da cidade, que foi improvisada para receber os presos –para aliviar a situação no 1º DP.

Uma nova reunião entre as partes está marcada para esta tarde, que pode resultar em uma solução definitiva para o caso. Os diretores do presídio local vão apresentar à Justiça laudos técnicos sobre a capacidade da unidade, para verificar se podem receber mais presos. Caso não se chegue a um consenso, os detentos podem retornar para a delegacia.

Sérgio Lima/Folhapress
Preso é algemado a parede devido à falta de vagas em Delegacia Geral de Anápolis, em Goiás
Preso é algemado à parede devido à falta de vagas em Delegacia Geral de Anápolis, em Goiás; veja fotos

Os problemas no sistema carcerário local começaram a se agravar em julho do ano passado. O presídio de Anápolis, chamado CIS (Centro de Inserção Social) estava superlotado com mais de 400 detentos. A Justiça então determinou a redução nesse número e limitou em 168 o número máximo de detentos.

Os presos provisórios passaram então a ser transferidos para uma unidade em Aparecida de Goiânia. No entanto, essa unidade também ficou superlotada e passou a recusar os presos encaminhados por Anápolis.

Os presos provisórios se amontoaram na única cela do 1º DP, com capacidade para cinco pessoas. A carceragem, no entanto, chegou a ter mais de 20 detentos, que se deitavam um em cima do outro para dormir.

A solução encontrada pelo delegado regional Luiz Teixeira foi acomodar os presos que chegavam em locais improvisados. A Folha flagrou ontem três deles deitados no corredor do 1º DP, dois deles algemados um ao outro. O terceiro estava preso a uma argola chumbada na parede.

“Estou amarrado aqui tem dois dias, nessa situação humilhante”, disse um preso que se identificou como Pedro.

O delegado Luiz Teixeira afirma que as argolas foram colocadas nas paredes há quatro meses. O objetivo inicial era que principalmente mulheres ficassem sentadas em um banco e presas nas argolas, enquanto o processo de prisão era efetuado – para não serem misturadas na cela com homens.

“Tomei essa decisão com constrangimento, não é sadismo nenhum. Mas a situação nos obrigou e eu prefiro essa medida a deixá-los soltos para cometerem agressão contra a sociedade. Seria prevaricar”, disse o delegado.

Com a Folha.com

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *