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Relator diz que pode pedir acareação entre Cachoeira e Demóstenes

O senador Humberto Costa (PT-PE), relator no Conselho de Ética do processo que apura se  Demóstenes Torres (sem partido-GO) quebrou o decoro parlamentar, disse nesta quarta (18) que cogita pedir uma acareação entre o senador goiano e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Investigações da Polícia Federal indicam que Demóstenes teria usado o mandato parlamentar em favor dos interesses de Cachoeira, preso em fevereiro pela Polícia Federal, acusado de chefiar um esquema de jogo ilegal em Goiás. Nesta quarta (18), Cachoeira foi transferido do presídio federal de segurança máxima de Mossoró (RN) para uma prisão em Brasília.

Costa afirmou que a decisão sobre a acareação só será tomada depois de avaliar a defesa de Demóstenes, que será entregue ao conselho até 25 de abril, conforme prazo previsto no regimento do Senado.

“Pode haver acareação. Se, para uma decisão final quanto à quebra de decoro parlamentar, for necessário ouvir testemunhas ou mesmo o Cachoeira, vamos convocar”, disse.

O senador disse ainda que fará um novo pedido ao Supremo Tribunal Federal de acesso a informações do inquérito que investiga o elo do senador goiano com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Nesta terça (17), senadores do conselho conversaram sobre o assunto com o relator do caso no STF, ministro Ricardo Lewandowsky.

Segundo Humberto Costa, o Conselho de Ética se reunirá às 10h desta quinta (18) para elaborar e aprovar o requerimento de informações sobre o inquérito contra Demóstenes. O documento será endereçado a Lewandowsky.

De acordo com o senador petista, o pedido será “mais específico” e direcionado exclusivamente aos fatos que podem comprovar o envolvimento de Demóstenes com Cachoeira.

Lewandowsky já negou a parlamentares pedido anterior de acesso ao inquérito. Na ocasião, o ministro argumentou que só poderia liberar as informações a uma Comissão Parlamentar de Inquérito.

“Meu sentimento e o de outros senadores é de otimismo. Se nós fizermos o pedido adequadamente, nos restringindo as informações que realmente interessam ao Conselho para investigar se houve quebra de decoro parlamentar, creio que haverá boa vontade em nos conceder essas informações”, afirmou.

Humberto Costa disse que o Conselho de Ética precisa, por exemplo, dos áudios de conversas telefônicas gravadas pela Polícia Federal que citam Demóstenes. “Nós não temos nenhuma intenção de ter acesso a informações sigilosas que não digam respeito ao nosso trabalho, mas precisamos do resultado das escutas telefônicas que, na verdade, são de conhecimento público, mas formalmente não podem ser de conhecimento do Senado.”

Nesta terça (16), Costa e o presidente do Conselho de Ética, Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), se reuniram com Lewandowsky para pedir que ele libere o inquérito ao Senado. No encontro, os parlamentares argumentaram que que houve casos semelhantes em que ministros do STF liberaram partes do inquérito para a investigação no Senado.

Fonte: Do G1, em Brasília

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