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Repórteres Sem Fronteiras condena morte de jornalista na Síria

A ONG Repórteres Sem Fronteiras exigiu às autoridades sírias que esclareçam a circunstâncias em que o jornalista francês Gilles Jacquier morreu.

Ele perdeu a vida após a explosão de uma granada em Homs, no centro do país, sendo o primeiro profissional de comunicação estrangeiro a morrer na Síria desde o início dos protestos, em março de 2011.

Jacquier estava em um grupo de jornalistas que visitavam um hospital na companhia de uma freira libanesa. Ao sair do hospital, os repórteres passavam por manifestantes que apoiam o governo sírio quando foram atingidos por um tiro de um obus — artefato similar a uma granada.

De acordo com o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, seis civis sírios que acompanhavam o jornalista também morreram. Outras pessoas, em número ainda não determinado, teriam ficado feridas. Dentre eles está um repórter belga ferido no olho.

Reuters
Gilles Jacquier foi morto após explosão na Síria; francês é primeiro jornalista ocidental a perder a vida no país
Gilles Jacquier foi morto após explosão na Síria; francês é primeiro jornalista ocidental a perder a vida no país

CORRESPONDENTE DE GUERRA

O canal France 2 confirmou a morte do jornalista, funcionário da emissora desde 1999. Especialista em cobertura de guerras, esteve em conflitos em Kosovo, Iraque, Afeganistão e Oriente Médio. O France 2 ainda confirmou que o cinegrafista que acompanhava Jacquier, Christophe Kenck, também foi ferido.

O ministro de Relações Exteriores francês, Alan Juppé, pediu o esclarecimento das circunstâncias da morte do repórter e considerou o ataque “um ato odioso”. O chanceler ainda exigiu do governo sírio a “garantia da segurança de todos os jornalistas internacionais para a garantia da liberdade à informação”.

Os Estados Unidos também condenaram a ação. A porta-voz do departamento de Estado americano, Victoria Nuland, classificou a morte como “deplorável” e afirmou que o regime de Bashar al Assad “é incapaz de fornecer um ambiente favorável de trabalho para os jornalistas”.

O dirigente opositor Omar Edelbe acusou o governo de ter ordenado o ataque ao grupo. Em entrevista à agência espanhola Efe, o membro do Conselho Nacional Sírio e do Comitê de Coordenação Local chamou a ação de “ambígua”. Ele também explicou que os habitantes do bairro onde aconteceu a explosão são leais ao governo e que a região é bem protegidos pelo Exército e por milícias aliadas.

ISOLAMENTO

A viagem do grupo de profissionais de comunicação à Síria foi autorizada e acompanhada pelo governo. O regime limita os deslocamentos dos repórteres estrangeiros no país.

Desde o início dos confrontos entre governo e oposição, o regime de Bashar al Assad limitou o número de vistos para jornalistas. As informações sobre o que ocorre no país são, em sua grande maioria, passadas por fontes do governo e organizações que representam os manifestantes.

Muzaffar Salman/Associated Press
Manifestantes protestam a favor do governo sírio em discurso do ditador Bashar al Assad nesta quarta-feira
Manifestantes protestam a favor do governo sírio em discurso do ditador Bashar al Assad nesta quarta-feira

Com a Folha.com

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