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Rússia não aceita intervenção na Síria, diz Putin; Homs tem 50 mortos

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta quarta-feira que o país não aceitará qualquer forma de interferência na Síria. Ele também pediu que os países do Ocidente se comportem de forma prudente com o aliado árabe.

“Evidentemente condenamos todas formas de violência, venham de onde venham, mas não é necessário se comportar como um elefante em uma loja de porcelanas. Faz-se necessário que os sírios decidam o seu futuro”.

O premiê reafirmou que a Rússia não deixará que o cenário sírio seja o mesmo da Líbia, onde a Otan, a aliança militar do Ocidente, fez uma intervenção antes da queda do ditador Muammar Gaddafi, em outubro.

Ele disse ainda que no país do norte da África “aconteceram e acontecem terríveis excessos, mas ninguém fala deles. Essas são as terríveis consequências da interferência estrangeira”.

Mais cedo, Putin havia pedido ao pediu ao governo e à oposição na Síria que limitem o uso das armas, e se mostrou contra uma intervenção estrangeira no conflito desse país.

“Devemos ajudar, assessorar na hora de limitar alguns pontos, como por exemplo, que as partes não tenham a possibilidade de usar armas”, afirmou Putin durante uma reunião de líderes religiosos russos, além de enfatizar: “mas, em nenhum caso, interferir” nos assuntos da Síria.

REPRESSÃO

De acordo com a Comissão Geral da Revolução Síria, pelo menos 50 pessoas morreram em bombardeios na cidade de Homs, no centro do país. Os ataques das forças de segurança aliadas ao regime de Bashar al Assad continuam durante a noite desta quinta-feira.

Os opositores, consultados pela agência de notícias Efe, afirmam que, em um dos ataques, 18 bebês foram mortos em um hospital, o que o governo sírio nega. A cidade passa por bombardeios intensos desde sexta-feira, com o uso de artilharia e carros de combate.

Mais cedo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, havia mencionado que ao menos 47 pessoas foram mortas nesta quarta-feira em Homs.

Ainda nessa quarta-feira, de acordo com o OSDH, homens leais a Assad mataram pelo menos 20 civis ao invadirem as casas de três famílias na periferia da cidade.

As autoridades sírias não comentaram os relatos.

Segundo a ONU, mais de 5.000 pessoas, a maioria civis, já morreram na repressão aos protestos na Síria. O governo sírio diz enfrentar a ação de “terroristas armados” que, com apoio estrangeiro, tentam desestabilizar o país.

Mulham Alnader/Reuters
Escombros de casa danificada em Homs; ao menos 47 morreram em ofensiva na cidade
Escombros de casa danificada em Homs; ao menos 47 morreram em ofensiva na cidade

CARRO-BOMBA

Mais cedo, a explosão de um carro-bomba em Homs, no centro da Síria, matou e feriu várias pessoas, entre civis e membros das forças de segurança, informou a TV estatal síria. O número exato de vítimas não foi divulgado de imediato.

Autoridades informaram que perseguem “grupos terroristas” em Homs, grande foco da onda de contestação ao regime, acusando-os de estarem por trás da violência. No entanto, militantes sírios afirmam que o Exército realiza uma violenta campanha na cidade para reprimir a revolta.

Em Idleb (noroeste), segundo a TV, “um grupo terrorista armado atacou um prédio de recrutas militares, e as forças entraram em confronto com o grupo, matando alguns terroristas”.

Osama Faisal/Associated Press
Sírios protestam contra veto da Rússia a resolução sobre violência no país na ONU
Sírios protestam contra veto da Rússia a resolução sobre violência no país na ONU

FRANÇA

As promessas do presidente sírio Bashar al-Assad para a Rússia, de implementar reformas e encerrar os 11 meses de repressão contra os manifestantes, são “uma manipulação” que não merece o crédito da França, disse nesta quarta-feira o ministro Alain Juppé (Relações Exteriores).

“Isso é uma manipulação e nós não vamos acreditar nisso”, declarou Juppé à rádio francesa Info, quando questionado sobre as declarações prévias de Assad.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov teve um encontro com Assad na terça-feira, quando declarou que as duas nações pretendem recuperar os esforços da Liga Árabe para monitorar a situação do país, encerrar a onda de violência e implementar um programa de reformas.

Paris, que ajudou a formatar uma proposta de resolução nas Nações Unidas de apoio à Liga Árabe, e que foi vetada pela Rússia e pela China, está articulando a criação de um comitê internacional que vai reunir todos os opositores à violência na Síria, que custou mais de 6 mil vidas desde o início da repressão.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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