Willames Costa

Compromisso com a informação

Mundo

Rússia se posiciona contra intervenção da ONU na Síria

Representante russo chamou o massacre de civis no país de ‘conflito interno’

Síria: protestos e violência extrema não têm fim

Síria: protestos e violência extrema não têm fim (Nikolay Doychinov/AFP)

As potências ocidentais e a Liga Árabe pediram nesta terça-feira uma ação imediata da ONU para deter a “máquina mortífera” do governante sírio Bashar Assad, mas a Rússia, que tem direito a veto no Conselho de Segurança, negou-se a dar seu apoio.

A discussão na ONU ocorreu enquanto se registra um forte aumento da violência entre as forças de segurança de Assad e os rebeldes, com ativistas afirmando que mais de 5.400 pessoas morreram em 10 meses de revolta da oposição. Só na última segunda-feira, 100 manifestantes foram mortos por forças do ditador.

Hillary – A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, liderou a investida ocidental na reunião em Nova York, apoiada pela liderança da Liga Árabe e pelos chanceleres britânico e francês. “Todos sabemos que a mudança está chegando na Síria. Apesar das táticas implacáveis, o reino do terror do regime de Assad acabará e o povo da Síria terá a possibilidade de escolher seu próprio destino”, disse Hillary. “A pergunta que nos fazemos é quantos civis inocentes morrerão antes de que o país seja capaz de avançar para o tipo de futuro que merece”, completou.

Entenda o caso


  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança do ditador, que já mataram mais de 5.000 pessoas no país, de acordo com a ONU, que vai investigar denúncias de crimes contra a humanidade no país.
  3. • Tentando escapar dos confrontos, milhares de sírios cruzaram a fronteira e foram buscar refúgio na vizinha Turquia.

Paralelamente, o chanceler francês, Alain Juppé, exortou o Conselho de Segurança a sair de seu “silêncio escandaloso” frente à situação. O primeiro-ministro do Qatar, Hamed ben Jassem al-Thani, falou em nome da Liga Árabe para pedir que a ONU detivesse a “máquina mortífera” Assad.

‘Conflito interno’ – O projeto de resolução da ONU, fechado pelas potências ocidentais e pela Liga Árabe, busca fazer Assad entregar o poder e acabar com a repressão. Mas a Rússia, aliada da Síria e com direito de veto no Conselho de Segurança, reiterou sua oposição e afirmou que a ONU não deve se intrometer no conflito “interno” sírio. “Possivelmente há uma última possibilidade de romper a espiral da violência que arrasa a Síria e seu povo”, afirmou Vitaly Churkin, representante russo na ONU, completando que o Conselho de Segurança “não pode impor parâmetros para um acordo interno”. Antes, o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que “mudar de regime” não é a “profissão” de seu país.

O embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, afirmou nesta terça-feira diante do Conselho de Segurança que seu país “se manterá firme para enfrentar seus inimigos”.

Rússia e China – que acusaram os países ocidentais de abusar dos mandatos da ONU em sua intervenção na Líbia – vetaram em outubro um rascunho de resolução de condenação ao governo sírio.

Ante os massacres dos últimos dias, o mais importante grupo da oposição no país árabe, o Conselho Nacional Sírio (CNS), criticou a falta de ação da comunidade internacional para proteger os civis. O CNS reafirmou também a “determinação do povo de lutar por sua liberdade e dignidade”, assegurando que “não entregará sua revolução, sejam quais sejam os sacrifícios”.

(Com Agência France-Presse)

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *