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Sarkozy anuncia plano de € 430 mi contra desemprego na Franç

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas no valor de € 430 milhões (cerca de R$ 980 milhões) para combater o desemprego no país, após se reunir com sindicatos e associações patronais. Ele avaliou que o governo e as organizações tiveram “discordâncias e alguns pontos de convergência”.

O governo deve incentivar ainda o trabalho temporário e a inclusão de jovens no mercado de trabalho.

Remy de la Mauviniere/Reuters
Presidente da França anunciou medidas para conter desemprego no país; reformas chegam após rebaixamento de nota
Presidente da França anunciou medidas para conter desemprego no país; reformas chegam após rebaixamento

“Temos que evitar que se desfaça o laço entre o empregado e sua empresa, em tempos de crise econômica”.

O governo fará com que, durante os períodos de desemprego, os trabalhadores se qualifiquem para ser mais fácil encontrar uma ocupação. O presidente anunciou também mais mil funcionários nos escritórios de emprego para facilitar as buscas para os franceses que estão sem trabalho.

IMPOSTO

Sarkozy afirmou que até o fim do mês dará a decisão do governo sobre o aumento de impostos para financiar a proteção social, medida apoiada pelas patronais e rejeitada pelos sindicatos.

Na reunião, as representações de trabalhadores argumentaram que o custo dos salários não são a principal razão da perda de empregos. Os grupos ainda disseram que as medidas de Sarkozy são insuficientes.

As patronais comemoraram a medida, vista como benéfica às empresas e aos trabalhadores, devido à carga tributária nos rendimentos.

REFORMAS URGENTES

“A gravidade da crise exige que sejam tomadas decisões”, afirmou Sarkozy, que ainda não anunciou formalmente sua candidatura à reeleição, no discurso realizado no Eliseu, diante dos representantes dos sindicatos e dos empregadores, ao abrir a chamada “cúpula social”.

“Não se pode esperar as eleições para decidir”, acrescentou o presidente, ao referir-se às presidenciais, cujo primeiro turno irá ocorrer em 22 de abril e o segundo em 6 de maio.

O conservador Sarkozy convocou esta cúpula social para tentar reativar sua campanha eleitoral e melhorar os resultados nas pesquisas, onde continua sofrendo com um problema de credibilidade, que o impede de se aproximar de seu principal rival, o socialista François Hollande.

REJEIÇÃO

Cinco dias depois de a agência de classificação Standard & Poor’s retirar da França a nota máxima de crédito, “AAA”, o presidente converteu em uma prioridade do fim de seu mandato um aumento do Imposto sobre o Valor Acrescido (IVA) e um corte do custo do trabalho para financiar a previdência social.

Mas a esquerda, parte da direita, assim como os sindicatos, rejeitam o aumento do IVA. Apenas os empregadores são favoráveis, sob certas condições.

Em seu discurso, Sarkozy limitou-se a falar da necessidade de reduzir o custo do trabalho mediante “uma reforçada diversificação das fontes de financiamento” da previdência social.

O presidente lamentou a “degradação da competitividade” das empresas francesas e a falta de flexibilidade do mercado de trabalho.

Claude Paris/Associated Press
Operários protestaram em Marselha, no sul da França, contra multinacionais; desemprego é desafio para o país
Operários protestaram em Marselha, no sul da França, contra multinacionais; desemprego é desafio para o país

Os sindicatos, que temem que as medidas de Sarkozy deteriorem o modelo social francês, chegaram à cúpula sem esperanças.

“A perda do triplo A (…) não deve autorizar o governo a colocar em questão de julgamento nosso sistema social”, declarou François Chérèque, líder do sindicato CFDT.

Sarkozy aproveitou a cúpula para reiterar “sua determinação total para avançar com a taxa sobre as transações financeiras” e comemorou por ter convencido Alemanha e Espanha a apoiarem este projeto, que conta com a oposição dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, o presidente adiantou algumas medidas imediatas, sem dar detalhes, que seu governo irá tomar imediatamente a fim de proteger o emprego, desenvolver o emprego parcial, melhorar a formação dos desempregados e lutar contra o aumento do preço das residências.

Os meios de comunicação receberam esta enxurrada de projetos, que já haviam sido apresentados antes da reunião, com comentários díspares, de acordo com sua tendência política.

Para o Liberation (esquerda), o que Sarkozy busca é “convencer os franceses de que é o único capitão de bombeiros que pode salvá-los”. Já o Le Figaro (direita) critica o “conservadorismo” da esquerda por não apoiar as medidas de Sarkozy.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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