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Sarkozy pede que Rússia aprove plano da Liga Árabe para Síria

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, pediu nesta quarta-feira ao presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que o país apoie o plano da Liga Árabe para solucionar a crise política na Síria. O documento prevê a saída do ditador Bashar al Assad, a criação de uma nova Constituição e a convocação de eleições diretas.

Em conversa telefônica, Sarkozy desejou que a Rússia ratifique a resolução, apesar das diferenças que possam ter entre os Estados, para evitar “uma guerra civil que poderia ameaçar a integridade da Síria e a estabilidade em toda a região”.

O mandatário francês ainda insistiu que seja iniciada uma transição política ordenada no país e lamentou o veto russo ao projeto no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Mais cedo, a Casa Branca anunciou que espera um encontro internacional em breve para dar o próximo passo para a solução da crise na Síria e revelou que deseja incluir ajuda humanitária ao país, apesar de não mostrar detalhes de como aconteceria essa negociação.

Mulham Alnader/Reuters
Escombros de casa danificada em Homs; ao menos 47 morreram em ofensiva na cidade
Escombros de casa danificada em Homs; ao menos 47 morreram em ofensiva na cidade

INTERVENÇÃO

Pouco antes, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que o país não aceitará qualquer forma de interferência na Síria. Ele também pediu que os países do Ocidente se comportem de forma prudente com o aliado árabe.

“Evidentemente condenamos todas formas de violência, venham de onde venham, mas não é necessário se comportar como um elefante em uma loja de porcelanas. Faz-se necessário que os sírios decidam o seu futuro”.

O premiê reafirmou que a Rússia não deixará que o cenário sírio seja o mesmo da Líbia, onde a Otan, a aliança militar do Ocidente, fez uma intervenção antes da queda do ditador Muammar Gaddafi, em outubro.

Ele disse ainda que no país do norte da África “aconteceram e acontecem terríveis excessos, mas ninguém fala deles. Essas são as terríveis consequências da interferência estrangeira”.

Mais cedo, Putin havia pedido ao pediu ao governo e à oposição na Síria que limitem o uso das armas, e se mostrou contra uma intervenção estrangeira no conflito desse país.

“Devemos ajudar, assessorar na hora de limitar alguns pontos, como por exemplo, que as partes não tenham a possibilidade de usar armas”, afirmou Putin durante uma reunião de líderes religiosos russos, além de enfatizar: “mas, em nenhum caso, interferir” nos assuntos da Síria.

Associated Press
Foto por satélite mostra incêndio no centro de Homs, na Síria; confrontos continuam após reunião com Rússia
Foto por satélite mostra incêndio no centro de Homs, na Síria; confrontos continuam após reunião com Rússia

ARMAS

A agência oficial de notícias síria SANA informou que forças do regime do ditador Bashar al Assad encontraram na cidade de Homs, região central, fuzis e mísseis procedentes de Israel e dos Estados Unidos entre as armas usadas pelos opositores, chamados de “grupos terroristas” pelo governo oficial do país.

O comunicado da agência informa que o armamento é de “boa qualidade”, sem especificar as circunstâncias em que foram descobertos. Dentre os artefatos apreendidos, estão granadas, projéteis de morteiro e mísseis Hawk.

De acordo com a Comissão Geral da Revolução Síria, pelo menos 50 pessoas morreram na quarta em bombardeios na cidade de Homs, no centro do país. Os ataques das forças de segurança aliadas ao regime de Bashar al Assad continuam durante a noite desta quinta-feira.

Os opositores, consultados pela agência de notícias Efe, afirmam que, em um dos ataques, 18 bebês foram mortos em um hospital, o que o governo sírio nega. A cidade passa por bombardeios intensos desde sexta-feira, com o uso de artilharia e carros de combate.

Mais cedo, o Observatório Sírio de Direitos Humanos, com sede no Reino Unido, havia mencionado que ao menos 47 pessoas foram mortas nesta quarta-feira em Homs.

Ainda nessa quarta-feira, de acordo com o OSDH, homens leais a Assad mataram pelo menos 20 civis ao invadirem as casas de três famílias na periferia da cidade. As autoridades sírias não comentaram os relatos.

Segundo a ONU, mais de 5.000 pessoas, a maioria civis, já morreram na repressão aos protestos na Síria. O governo sírio diz enfrentar a ação de “terroristas armados” que, com apoio estrangeiro, tentam desestabilizar o país.

Osama Faisal/Associated Press
Sírios protestam contra veto da Rússia a resolução sobre violência no país na ONU
Sírios protestam contra veto da Rússia a resolução sobre violência no país na ONU

CARRO-BOMBA

Mais cedo, a explosão de um carro-bomba em Homs, no centro da Síria, matou e feriu várias pessoas, entre civis e membros das forças de segurança, informou a TV estatal síria. O número exato de vítimas não foi divulgado de imediato.

Autoridades informaram que perseguem “grupos terroristas” em Homs, grande foco da onda de contestação ao regime, acusando-os de estarem por trás da violência. No entanto, militantes sírios afirmam que o Exército realiza uma violenta campanha na cidade para reprimir a revolta.

Em Idleb (noroeste), segundo a TV, “um grupo terrorista armado atacou um prédio de recrutas militares, e as forças entraram em confronto com o grupo, matando alguns terroristas”.

SOCORRO MÉDICO

A organização Médicos Sem Fronteiras acusou nesta quarta o governo sírio de “reprimir implacavelmente” os feridos em manifestações da oposição, a partir de depoimentos de médicos e pacientes ouvidos pela organização.

“A medicina é usada como arma de perseguição”, afirmou a presidente da entidade, Marie-Pierre Allié, em comunicado.

A Médicos Sem Fronteiras declarou-se incapaz de intervir na Síria por falta de autorização, mas diz apoiar as redes de médicos que socorrem os feridos nos ataques e pediu às autoridades do país que resguardem o atendimento hospitalar.

“Os hospitais devem ser locais protegidos onde os feridos são atendidos sem discriminação”.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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